sexta-feira, 29 de setembro de 2017

"O tudo e o nada"

Era um fim de tarde ensolarado em que eu seguia a caminho de uma viagem de negócios. Sentia inúmeras espécies de borboletas brincarem no meu estômago. Maldita ansiedade. Podia explicar aquilo apenas por estar à caminho de algo extremamente importante, quase tudo para mim, algo que mudaria minha vida e bem mais do que eu imaginava.

O tempo foi passando e eu, sozinha naquele carro, ouvia músicas no rádio e tentava me manter acordada, sabia que não podia parar para descansar, pois assim chegaria atrasada. Duas horas depois, eu comecei a sentir minhas pálpebras pesarem, já não podia contê-las e cada piscada se tornava um momento maravilhoso de alívio do sono.

De repente aquele alívio se tornou longo demais. Abri os olhos assustada e percebi uma luz muito forte se aproximando cada vez mais. Foi então que eu ouvi o estrondo, não houve o que fazer. Senti o cinto de segurança desprender e uma dor horrível ao bater no vidro e voar para fora do carro. Cai com muita força no chão e, enquanto passava um filme de memórias na minha cabeça, pude ver um carro se aproximando.

Não consegui me mover e o veículo passou por mim como uma pedra qualquer. Rolei pela estrada, caindo em uma ribanceira e sentindo a maior dor que já tinha sentido até então. Olhei ao redor e só havia mato. Olhei o meu corpo e percebi que agora eu só possuía uma perna. Chorei como uma criança desesperada, enquanto via a poça de sangue que se formava ao meu lado e perdia todas as minhas forças.

Acordei. Senti-me mais leve, meu corpo parecia estar iluminado e eu tinha duas pernas novamente. Comecei a andar e me recordei de tudo o que havia ocorrido. Foi então que conclui: eu estava morta. Não houve reação, saí correndo aos prantos e suspeitei estar em um cemitério. Alguns passos depois e encontro minha família e amigos em volta de um caixão. Quase todos choravam lágrimas de tristeza e de saudade. Um velório triste e comovente.

Sentia-me leve, arrependida e principalmente vazia. Sabia que ninguém me via ou ouvia. Comecei a me lembrar de toda minha vida e me arrepender de incontáveis fatos. Talvez ainda nem tivesse aproveitado o suficiente; agora seria impossível. Observei meu caixão ser colocado na cova; na lápide estava meu nome e uma bela foto. Depois vi todos seguirem seu rumo. Então, sentei em meu túmulo e foi aí que percebi: agora eu era pó. Em uma piscada de olhos, passei de “tudo” ao “nada”! E assim foi o meu fim.

Nota: Este relato é produzido a partir da perspectiva de um narrador que é defunto-autor. 




Aluna: Silvia Rosa Prieto Urzêdo 

1ª série "A" - Ensino Médio 

Profª Drª Priscila Toneli

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Felicidade"

A ciência por muito tempo não enxergou a felicidade. Só em 1998, Martin Seligman, pesquisador da Universidade da Pensilvânia, especialista em depressão, deu uma palestra e pediu que os cientistas começassem a se preocupar com as qualidades humanas e não com os defeitos. Então surgiu a psicologia positiva que descobriu que a felicidade está sob nosso controle e que não precisamos ficar inertes, esperando ela dar as caras. Descobriram o que você pode fazer para ser mais feliz e não é pouca coisa.

O primeiro passo para conhecer a ciência da felicidade está em entender como o nosso cérebro registra o tempo. Para eles, o presente não existe. Dura poucos segundos antes de se tornar uma memória armazenada na nossa cabeça. Esse fato é o maior obstáculo para a felicidade. Para que sintamos felizes no presente, algo de bom teria de acontecer conosco o tempo todo.

Não dá para ser feliz o tempo todo. O segredo está em armazenar e criar memórias felizes, que poderão ser revisitadas para sempre. O criador dessa teoria é Daniel Kahneman, psicólogo obcecado em entender como o nosso cérebro funciona. Segundo ele, o presente não dura mais que três segundos. Vivemos entre o eu do presente e o eu do passado e somos feitos essencialmente de memórias. Para ser mais feliz, então, é preciso mexer no passado.

Para o psicólogo, os dois eus não costumam concordar. O eu presente é péssimo em influenciar a nossa felicidade, que foi determinada pelos acontecimentos mais recentes.

O que a neurociência coletou para aumentar a felicidade?

Como hackear o passado – mexa no presente para deixar o passado do futuro mais feliz.

1- Multiplique as boas lembranças – viaje para dois lugares diferentes.
2- Gaste seu dinheiro com experiência, não com objetos – gastar dinheiro com coisas que ficam na memória, que gerem sensações: as experiências. Invista num show de que você goste.
3- Não se preocupe com os momentos ruins da vida – seu cérebro vai transformá-los em algo bom – quando falamos sobre os pontos baixos da vida, nossa percepção sobre eles muda. O acontecimento ruim pode virar anedota ou numa experiência de formação de caráter no futuro.
4- Mude a rotina – agite o dia. É a maneira simples de hackear a memória.
5- Deixe o melhor para o final – deixe as atividades prazerosas para o final do dia.

O poder do foco – meditação é um bálsamo para a mente. Diminui a ansiedade, o estresse, a dor e a depressão.
1 – Coloque-se numa posição confortável;
2 – Marque o tempo no celular;
3 – Feche os olhos;
4- Concentre-se nos movimentos da sua respiração, observando a entrada e saída do ar;
5 – Um mantra pode ajudar;
6 – Observe os pensamentos que vêm e vão, sem se engajar neles. O essencial é não deixar o cérebro escapar para pensamentos aleatórios;
7. Coma meditando;
8. Ande meditando – foque para não dar espaço à ansiedade ou sofrimentos.

O estado de graça (flow – fluxo) – mais prazer – passar tempo com os amigos íntimos; socializar depois do trabalho; relaxar; almoçar; jantar.

Somos capazes de botar o nosso cérebro em um estado mental prazeroso quando quisermos. O flow exige imersão e concentração, usar o cérebro no limite. Quando conseguimos, o mundo ao redor desaparece, o tempo começa a voar. Há a sensação de felicidade. Artistas e atletas são especialistas em alcançar esse estado. Quem corre está nos limites da concentração, coordenação e autocontrole. Escrever, compor, pintar e dançar exige criatividade, memória e imaginação. Cozinhar, fazer tricô, montar trens em miniaturas, aprender mandarim. Se seu trabalho não proporciona esse estado, você deve procurar algo que o faça. Muita habilidade e muito desafio é disso que o flow é feito.

Um antídoto para a tristeza – O que determina a felicidade é a velocidade com que os acontecimentos ruins serão superados. É conseguir se recuperar da adversidade mais rápido. Se as condições ideais não estão ao alcance, nosso cérebro se prepara para se contentar com a segunda melhor opção disponível. Mulheres idosas solteiras chegam à velhice com mais amizades significativas. As defesas da felicidade podem ser turbinadas com práticas diárias. O otimismo é a chave da imunidade, ter uma visão otimista sempre ajuda. Não existiria som, se não houvesse o silêncio. Não existe prazer sem dor. Só é feliz quem conheceu a tristeza.

Gratidão – surgiu em 2015 nas redes sociais, viralizou a não realidade. Gratidão é fonte real de felicidade. Detector de coisas boas, quando agradecemos pelo bom da vida, ficamos mais conscientes. Pessoas gratas apreciam mais as coisas simples da vida. O be-a-bá da gratidão – dedique cinco minutos para agradecer alguém que te ajudou. Anote três coisas boas que aconteceram no dia.

Nada – nada mesmo – é mais importante do que as pessoas – cerque-se de pessoas, primeiro da família e depois de amigos. Aprendemos a cuidar uns dos outros, a trabalhar em grupo.

Felicidade - o tempo todo é insustentável, tanto a alegria extrema com a tristeza profunda. Viver em êxtase, atrás da felicidade delirante é perigoso. Foque na calma e no contentamento. Viver em paz é o arroz com feijão que nos mantém vivos.

Felicidade é amor. Ponto final.

Artigo publicado na Revista Superinteressante (mês setembro/17) e resumido pela Coordenadora Pedagógica Eliana Prata.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

"Século XXI e o combate às discriminações"

Bulling. Racismo. Xenofobia. Todas essas discriminações afetam diversas pessoas no mundo contemporâneo e estão presentes há anos. Na história do Brasil, negros, índios e imigrantes foram vítimas de agressões e preconceitos, ora no período colonial, ora na fase republicana. Sendo assim, o convívio com as diversidades étnicas, sexuais e quaisquer outros estereótipos ainda são um impasse que a sociedade brasileira enfrenta. No entanto, é possível mudar esse cenário com a criação de campanhas que busquem aproximar as pessoas, disseminando o amor e o respeito ao próximo.

É indubitável que tais discriminações afetam o desenvolvimento nacional. De acordo com o físico Einstein, “No mundo atual, é mais fácil destruir um átomo do que acabar com o preconceito”. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se a dificuldade de resolver a problemática dos preconceitos, tanto racial, quanto sexual, entre outros, visto que cada dia mais ouvem-se notícias de violência contra aqueles que são considerados “diferentes”. Entretanto, é possível solucionar isso com ideias baseadas na ética e na solidariedade.

Percebe-se também que tais problemas são oriundos de uma sociedade que forma cidadãos preconceituosos. Conforme afirma Rousseau, “O ser humano por si só é bom, porém a sociedade o corrompe”. Observa-se, assim, que o meio em que uma pessoa é criada irá interferir em suas atitudes futuras, caso sejam preconceituosas ou não. Nota-se, dessa forma, a importância de se difundir valores que visam o amor e o respeito entre os indivíduos.

Entende-se, portanto, que é possível atenuar a problemática com algumas medidas. Uma delas é a promoção de campanhas solidárias que visem a aproximação das pessoas por meio de caminhadas e eventos comunitários. Outra medida é, por meio da parceria entre as famílias e as escolas, a realização de aulas sobre as diversidades presentes no país a fim de educar os alunos para que não sejam racistas, homofóbicos ou xenofóbicos. Tais ações devem ser feitas pelo Estado juntamente com ONG’s, escolas, famílias e instituições religiosas para que se alcance uma sociedade justa e igualitária.



Aluno: Augusto Souza Campos Durant

2ª série "B" - Ensino Médio

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

"O dilema da doação de órgãos no Brasil"

A doação de órgãos é uma forma indiscutivelmente digna de ajudar a sociedade em que se está inserido. Aqueles diagnosticados com morte encefálica, por exemplo, são potenciais doadores, porém, no Brasil, o destino de seus órgãos não depende apenas do doador, mas também de sua família, que legalmente decidirá se haverá a doação ou não. O problema é que, ainda hoje, quase metade das famílias brasileiras ainda rejeita a doação de órgãos de um parente, realidade que precisa ser modificada a partir de uma mudança cultural na visão da sociedade sobre o assunto de nosso país.

Nos séculos iniciais da colonização brasileira, principalmente após 1600, o Brasil dominado pelos portugueses também passou a ser dominado ideologicamente pela instituição predominante na Europa: a Igreja Católica. Os jesuítas vieram ao chamado novo mundo para catequizar os indígenas, e um dos dogmas incorporados na raiz cultural de nosso país foi a ressurreição, ou seja, a crença de que ressuscitamos após a morte no mesmo corpo. Portanto, até os dias atuais, inconscientemente, somos influenciados por tal ideologia, um fator cultural que implica uma suposta necessidade de conservar o corpo dos falecidos, o que é feito ainda por muitas famílias.

Dessa forma, é indubitável a necessidade de uma mudança cultural para que as famílias como um todo aceitem o processo de doação de órgãos dos parentes. Segundo o pensador Emanuel Kant, somos o que nossa educação faz de nós do ponto de vista sociológico. Tendo isso em vista, é claro o papel da educação na formação do indivíduo não só como profissional, mas como ser humano e, consequentemente, na formação de seus ideais, ainda mais em relação a essa questão da doação de órgãos.

Ainda levando em consideração o papel da educação com relação à formação individual, pode-se afirmar que a educação brasileira falha ao não ensinar os benefícios desse tipo de ato aos futuros doadores ou familiares de um doador em potencial. Isso dificulta o aumento na taxa de famílias que aprovariam as doações e é ainda a principal barreira na doação de órgãos no Brasil, já que a doação somente pode ser autorizada pela família daquele que poderia doar.

Em síntese, dada a necessidade da aprovação familiar e o caráter cultural dos empecilhos para a doação de órgãos no Brasil, são urgentes medidas governamentais para o combate. É dever do Ministério da Educação implementar no currículo escolar obrigatório noções acerca da doação de órgãos e seus benefícios: salvar vidas ou melhorá-las sem prejudicar a ninguém. Essa implementação, a longo prazo, formará indivíduos capazes de compreender a relevância da questão que, sendo futuros doadores ou parentes de doadores, farão a diferença. E, assim, estaremos educando uma nova geração de mentes pensantes que superará as barreiras com relação à cultura e que se tornarão futuros salvadores de vidas.



Aluna: Anaclara da Silva Reis

Turma: 3ª série - Ensino Médio

Profa. Dra. Priscila Toneli