quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

"A magia do Natal"

Quando eu era pequena, todos os anos, quando chegava dezembro, lembro-me de olhar pela janela e desejar que flocos de neve caíssem, cobrindo a rua como se fosse um tapete branco encantado. Também ficava na esperança que Papai Noel atenderia a esse meu pedido. Claro que todos aqueles filmes americanos de natal que eu assistia só ajudavam a aumentar esse desejo, então por muito tempo escrevi cartas e mais cartas pedindo neve ao bom velhinho.

Os anos se passaram e, sem me dar conta, a infância se foi e com ela aquela garotinha perseverante que todos os anos aguardava a neve.

Logo descobri a geografia e a diferença de clima entre os hemisférios e então pude compreender a impossibilidade do meu desejo. Por consequência, deixei de escrever as cartas e passei a desacreditar no destinatário delas. Outra certeza infantil que se tornou descrença foi a de que os duendes arrumavam tudo em todas as casas, da árvore às guirlandas, então por isso passei a decorar a casa para o natal.

Aprendi também que os presentes não surgem de uma fábrica no Polo Norte e são distribuídos a todas as crianças do mundo de trenó, mas sim são comprados em lojas apenas por quem pode pagar por eles. Quanto mais o tempo passava, mais me tornava incapaz de ver as cores e a magia que se espalhava pelo ar, as quais pareciam tão reais em minhas memórias infantis.

Parei de venerar o natal como antes, passando a vê-lo apenas como qualquer data comemorativa fugaz e passageira. Perdi o brilho dos pisca-piscas e o interesse por brinquedos, passei a odiar as uvas passas e as apresentações de natal da TV que se tornaram motivadores das séries da Netflix.

Não que eu tenha passado a odiar o Natal, longe disso! Pelo contrário, ainda é meu feriado favorito. Apenas deixei de enxergá-lo como uma data mágica e especial que realiza sonhos e desejos.

Hoje me pergunto, como poderia eu, crescida, depois de tantas decepções, acreditar em contos fantasiosos? Então, pasmem, porque confesso que escolhi acreditar. Escolhi venerar o natal como as crianças e acreditar nos duendes e no Papai Noel de um modo diferente. Decidi enxergar as cores e as luzes que parecem mágicas no céu. E, o mais importante, escolhi alimentar aquela garotinha esperançosa que sonhava com a neve.

E, assim todos os anos, quando chega dezembro, eu olho para a janela, fecho os olhos e desejo meus flocos de neve, mesmo tendo a certeza da impossibilidade do meu desejo, os meus olhos infantis são capazes de ver a minha neve. Essa é a magia do Natal.




Texto escrito pela aluna Giovanna Cipriano - 2ª série "A" 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Futuro liquefeito"

Quando éramos crianças e nos perguntavam o que faríamos quando crescêssemos a resposta vinha fácil, rápida e nos enchia de expectativas. Era fácil porque sabíamos que havia tempo, que o futuro era, apenas, um sonho distante. O que não sabíamos era que esse mesmo tempo passaria de forma tão veloz. Agora, o futuro bate em nossas portas e exige uma resposta definitiva, mas quem pode tê-la?

Heráclito de Éfeso estava correto, nada é estático ou definitivo. Não podemos nunca entrar no mesmo rio duas vezes, pois, como as águas, já não somos mais os mesmos. Tudo está em constante mudança, os desejos, os sonhos e as nossas próprias visões de mundo se alteram, o que queremos agora pode não ser a nossa vontade daqui alguns anos ou mesmo daqui décimos de segundos. Somos seres em transformação, essa que se impõe em cada período de transição seja da infância para a adolescência, seja, como agora, da juventude para a vida adulta.

A segurança da escola, da rotina e dos velhos amigos chegou ao fim e nos vemos obrigados a abraçar as incertezas e as mudanças porque elas são inevitáveis e, na verdade, vitais. Crescer é mudar, é se arriscar, sair do que já era comum e conhecido e ir de encontro ao desconhecido. Crescer é, simplesmente, a forma mais genuína do tempo nos mostrar que estamos vivos, de que nosso coração pulsa e exige que façamos desse tempo o melhor possível. Um ciclo só se encerra para que outro inicie e traga consigo a renovação e aceitá-la é aceitar viver.

Sair da nossa zona de conforto nunca é fácil, pede coragem e determinação, mas é essa atitude que nos permite crescer, pois é preciso ser destemido para aceitar as mudanças que a vida traz e para aprender com cada uma delas. O futuro não é estático ou algo já pronto, está sendo construído por cada atitude e cada passo que damos e pode ser alterado a qualquer momento. E, a meu ver, é isso que o torna interessante, portanto cabe a nós decidirmos se vamos nos esconder ou encará-lo corajosamente.

Texto escrito pela aluna Eduarda de Castro Lacerda - 3ª série "A"

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"Uma grande guerra"

Talvez essa tenha sido a nossa grande ruína, o fato de querermos controlar mais do que devíamos. O fato de estarmos sempre travando uma grande guerra contra nós mesmos.

Naquele dia, eu travava minha grande guerra contra o impulso de ir até ele.

Eu estava falhando miseravelmente.

Era como se eu fosse aço e ele o ímã. Ou como se ele fosse ar e eu estivesse submersa em um oceano gigantesco por um tempo longo demais. Eu até poderia ser o anjo que era atraído pelo Sol. Mas o Sol queima, e minhas asas derretem e eu caio. Sou a própria imagem de Ícaro, caída, queimada e sem asas para poder fugir voando. Eu não posso fugir.

No instante em que o encontro, no canto da sala, observando-me arrumar meus materiais, com a minha aprovação queimando no bolso da calça - aprovação essa que fica a um oceano de distância -, meu coração pesa e eu agarro a pequena estrela, presa à corrente de ouro que ele mesmo me dera há um ano atrás.

E então eu fujo dele. Pego minhas coisas de forma desajeitada e trombo com seu corpo quando passo pela porta. Ele ia dizer meu nome, e tudo ia desmoronar. Minhas certezas iam desmoronar. Eu iria desmoronar.

Eu não podia, nem deveria fugir, mas eu fujo. Isso porque há somente duas certezas que sempre guardei comigo, minha vida inteira: desistir dos meus sonhos não é uma opção; e não há nenhum sonho para sempre.

Essas duas certezas foram a única coisa que me manteve firme quando tudo o que eu imaginava ser para sempre foi parar debaixo da terra, dentro de um caixão bem lacrado, e tudo o que quis foi desistir. “Desistir dos seus sonhos não é uma opção, filha.” - foi o que ela me disse, por isso decidi que nada, nunca, impedir-me-ia de dar o fora dessa maldita cidade na primeira oportunidade que tivesse.

Bem, foi isso; essas duas certezas que me motivaram a continuar, mas foi ele que segurou a minha mão durante todo o caminho.

Ele era um problema sem tamanho e eu não conseguia ficar longe. Na primeira vez que o vi foi na porta da escola, onde, também, aconteceu nossa primeira conversa. Se é que aquilo pode ser considerada como uma conversa. Ele estava sentado, a cabeça nas mãos, os cotovelos apoiados no joelho. Sentei-me ao seu lado e esperei. Esperei ele dizer alguma coisa, talvez um simples “oi”. Ele se virou para mim, depois de um tempo, os olhos azuis intensos, uma ruga entre as sobrancelhas, e me mandou ficar longe. Mas tudo o que eu fiz, foi chegar mais perto. Acho que uma parte de mim é extremamente viciada em tentar consertar coisas quebradas, ou talvez eu seja atraída por essas coisas pelo simples fato de que eu mesmo precisava de conserto.

No dia seguinte, o encontrei parado na porta de uma casa que não era bem minha, mas era onde eu passava as noites desde que tudo se tornou tão complicado. Ele disse que não servia para uma pessoa como eu, que tinha problemas demais, e eles se tornariam meus problemas se ele não se afastasse a tempo. Eu respondi que não me importava, não porque eu não sabia como aquilo doeria quando acabasse, mas porque uma parte louca dentro de mim ansiava que eu e ele fôssemos uma coisa real.

Ele só me beijou dias depois quando ele já havia se infiltrado em cada pedacinho meu, e eu havia deixado.

Eu soube que o amava no dia em que me levou a um parque e passamos horas e horas rindo, como se o mundo fosse simples. Como se fosse apenas eu e ele, e mais ninguém. Naquele instante eu quis viver, e ele era o responsável. Talvez, então, ele seja o meu sonho, mãe.

Mas o problema é que a voz dentro de mim sabe que nunca seria tão bom que nunca acabaria. O para sempre não existe, assim como ninguém é capaz de ficar por perto tempo o bastante para ser eterno.

Eu sei que o para sempre não existe, mãe, mas será que nem mesmo um meio termo poderia existir?

Provavelmente não.

Então, comecei a me despedir.

Isso faz parte da minha grande ruína, da minha grande guerra: ter que me despedir. Comecei me despedindo das memórias de uma vida que dali a uma semana não seria mais minha. Depois me despedi do céu, que de forma alguma seria tão claro e tão escuro ao mesmo tempo. Por fim, despedi-me das amarras pesadas que me mantinham ali. Não mais. Nunca mais. Mas ainda não me despedi dele.

O nosso problema sempre foi nossas grandes guerras. Não um contra o outro, mas as guerras que mantínhamos enclausuradas dentro de nós, rasgando tudo o que havia aqui dentro, com a vontade inerente de explodir para fora. Nós dois éramos problemas. Enquanto eu precisava sair desse lugar o mais rápido o possível, ele nunca poderia se ver livre. Ele estava preso, cuidando de assuntos que não deveriam perturbá-lo. Eu estava louca, alucinada, para deixar tudo e viver longe de amarras e pesos pesados demais para um coração que custava bater.

Não podemos controlar tudo, disso nós sabíamos, mas não aceitávamos.

Eram guerras grandes demais para só duas pessoas.

Não há para sempre - foi o que repeti a mim mesma para deixar todas as memórias. - Isso acabaria de qualquer forma - foi no que me obriguei a acreditar.

Deixar ir sempre foi uma das minhas grandes guerras.

Passo exatamente duas horas encarando meu reflexo no espelho. Trancada dentro do banheiro feminino, as mãos tremendo, os olhos vermelhos. Eu sei que preciso me despedir, sei que não posso simplesmente dar as costas e ir embora, por mais que esse seja o jeito fácil. Então o sinal toca. O último sinal do dia. Os passos e os gritinhos dos alunos ecoam pelo corredor. Minutos correm como água pelas minhas mãos abertas. Acho que em algum momento entre o agora e o dali mais dez minutos, eu choro. Eu não deveria chorar. Não é o meu fim, não podia ser. Em uma semana, minha vida só iria começar de novo, como deve ser. Vou ter passado toda essa fase insuportável de pessoas indo embora ou me decepcionando. Em uma semana, eu vou ganhar mais uma chance, e é tudo o que eu sempre quis. Mas choro assim mesmo.

Quando finalmente saio do banheiro, os corredores estão desérticos. O pátio azul está vazio. O prédio é apenas uma sombra, enquanto o deixo para trás.

Assim que chego à porta, que é tanto uma entrada, quanto uma saída, ele está lá. Na mesma posição em que o encontrei no primeiro dia que tive coragem de falar com ele. E é como se o primeiro e último dia se misturassem na minha cabeça. Então estamos de volta onde começamos, certo?

Ele ergue os olhos azuis para mim.

Ele se levanta.

Sou Ícaro e não posso evitar correr para os seus braços porque ele é o Sol, e eu sou fraca.

Mas não fraca o bastante para ficar.

Ficamos abraçados por tanto tempo e tão forte que até parece que o meu corpo é uma extensão do dele. Ele não diz nenhuma palavra enquanto estamos assim porque sabe que não seria justo. Ele sabe que eu quero ir embora, mas sabe que se pedir eu fico. Ele sabe que eu tenho medo de que isso que nós temos seja maior do que nós dois e nos devore por inteiro. Então ele fica quieto e só me abraça apertado.

Despedimo-nos na porta do colégio em que nos conhecemos, porque a vida agora seria fora e bem longe daquele portão de grades azuis.

Acho que, no final, a minha grande guerra era o medo tão grande do amor e das incertezas que acabei me ressentindo com qualquer amor que conseguisse. E fiquei sem nenhum.



Texto escrito pela aluna Luiza Aparecida Chaves Ranuzzi - 2ª série "B". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

“O histórico desafio de se valorizar o professor”

Dissertação Argumentativa

A educação foi, durante longo tempo, símbolo da classe alta na sociedade. Considerava-se superior aquele que detinha o conhecimento e admiravam-se aqueles que lecionavam. No entanto, a contemporaneidade trouxe, além das tecnologias, situações problemáticas acerca do aprendizado da população de diversos países.

Immanuel Kant dizia que “O homem é aquilo que a educação faz dele.”; tendo como base tal pensamento, observa-se que problemas relacionados com a qualidade da educação e a desvalorização do professor, ponto crucial na sociedade e que a cada dia mais perde seu papel e o incentivo para a formação de novos discípulos da carreira, vêm resultando em uma sociedade pedagogicamente despreparada.

Percebe-se a importância de um professor para com todos de modo que tal papel é a base educacional para a formação de qualquer outra profissão e, consequentemente, de uma diversidade de setores qualificados em um país. Entretanto, a valorização desse profissional mostra-se insatisfatória, bem como as condições de trabalho, os salários baixos (certas vezes atrasados) e o desrespeito diário sofrido dentro de seu local de trabalho, a sala de aula.

Relacionando as problemáticas da profissão com o círculo vicioso de alunos despreparados que se tornam profissionais incapazes e dos que – preparados e cônscios – raramente optam pela formação em pedagogia, vê-se necessária a valorização dos professores. Em suma, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Órgãos sociais que possuem o “poder da divulgação”, se acionados, conscientizariam a população da importância de um professor. Os poderes legislativo e judiciário devem trabalhar no planejamento do aumento significativo dos salários dos profissionais da educação, os quais devem também possuir boas condições de trabalho, como novas escolas bem planejadas e materiais de qualidade.



Texto escrito pela aluna Silvia Rosa Prieto Urzêdo – 9º ano B 

 Professora responsável: Thaise Hoyler Albuquerque

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

“O MMA é um esporte como outros ou injustificada glorificação da violência?”

Artigo de Opinião - Violência positiva

O MMA, ou mistura de artes marciais, é um espetáculo de luta que pode parecer bastante violento para o espectador e a sociedade, no entanto há cada vez mais pessoas que defendem e gostam desse espetáculo.

Ainda que algumas pessoas acusem os eventos de MMA de promoverem e incentivarem a violência na sociedade, principalmente entre os jovens, podemos levar em conta que assistir a cenas de violência nos ajuda a controlar nossa agressividade no dia a dia.

Diante disso, a exposição à violência traria um efeito positivo à sociedade, já que causaria uma descarga emocional e nos ajudaria a lidar com nossa própria agressividade. Para Aristóteles, seria como uma purificação da alma por meio da emoção, favorecendo uma coesão do corpo da sociedade, político e social, e um controle de agressividade, com o mesmo efeito da exposição à violência na Grécia Antiga, ou seja, os espetáculos que manifestam a agressividade evitariam conflitos e agressões na sociedade.

O MMA é um esporte que conta com regras rígidas, controle de danos e o profissionalismo dos atletas, o que impede a prática de ser somente uma forma de violência gratuita, tornando-a dentro dos princípios dos direitos humanos. Com isso, o esporte traz aspectos positivos e não pode ser considerado uma forma de violência gratuita.



Texto escrito pelo aluno Robert Ferreira Cunha – 9º ano A 

Professora responsável: Thaise Hoyler Albuquerque

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

"Um garotinho"

Era uma vez um mundo onde contos de fadas não eram mais contados para as crianças durante a noite. As crianças estavam ocupadas demais tampando os ouvidos dos barulhos de bombas que rodeiam suas casas. Os pais estavam ocupados demais tentando encontrar um lugar seguro. Por isso, o “era uma vez” foi esquecido.

O garotinho, de seis ou sete anos, pensou que, assim que chegasse em sua nova casa, seus pais teriam tempo de contar-lhe uma das histórias, as que falavam de heróis lendários, dragões, príncipes e princesas, reinos, batalhas e finais felizes.

Mas seu pai foi o herói derrotado no meio da batalha.

Sua mãe foi uma heroína que teve de voltar para seu castelo, em um reino tão tão distante, muito antes da hora. E o menino ficou sozinho.

Ele chegou na sua nova casa, imaginando todas as novas aventuras que estavam por vir. Aventuras melhores do que as que estava acostumado. Conheceu seus pais, que nunca seriam como seus velhos pais - mal compreendia o que diziam! -, mas ficou feliz por ter, pela primeira vez, um colchão - duro - e um travesseiro - fino - para dormir em um quarto frio - no subterrâneo da sua nova casa - e com pouca luz. Ele ficou contente porque mesmo que dormisse sozinho e no breu total, ele não precisava se preocupar em tampar os ouvidinhos.

Não havia bombas, nem tiros. Mas ainda havia gritos, na maioria das vezes vindos da sua nova mãe, e direcionados a ele. O garotinho mal falava. O novo pai mal ficava em casa. E o seu coraçãozinho doía, porque ainda que estivesse em um novo lugar, ninguém chegara a contar um conto para que ele fosse dormir. Ainda. “Ainda” porque seu coraçãozinho, mesmo que doendo, era esperançoso, e um dia, alguém, qualquer um, iria contar-lhe uma nobre história, sobre um nobre herói.

Um dia, o menino estava procurando algo para comer quando sua mãe o encontrou abrindo a geladeira. A mulher o arrancou de lá, com palavras furiosas, muitas das quais ele não compreendia. A nova mãe o arrastou pelas orelhas e depois o castigou.

O menino viveu nesse vai e vem de castigos, punições e gritos. Havia vivido no meio de uma guerra na qual a liberdade era um sonho do qual somente os países pacíficos usufruíam. Quando chegou à sua nova casa, em um país aparentemente pacífico, com novos pais, imaginou que a liberdade poderia ser provada por ele. Pobre garoto! Não há liberdade enquanto há a inerente busca por controle. Não há liberdade direcionada aos povos, que desde os primórdios, são controlados.

O garoto não tinha ideia que, no mundo, havia somente dois lados: controle e submissão, e ninguém, nunca, ultrapassava essa linha que os separam. Porque no final, tudo se baseia no medo. Medo do novo e do diferente. “As pessoas temem o que não compreendem.” - bendita pessoa que disse isso. As pessoas temem o que não são capazes de controlar, por isso buscam controle o tempo todo.

Aquele garoto, de seis ou sete anos, era um garoto judeu na Segunda Guerra Mundial; era um negro durante a escravidão na África; era um índio na colonização. Ele é um garotinho Sírio, perdido em meio à guerra.

E nós não estamos fazendo nada.


Texto escrito pela aluna Luiza Aparecida Chaves Ranuzzi - 2ª série "B". 

 Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A peregrinação pelos caminhos de São Domingos: vivenciando a comunidade e a oração


De Paris a Toulouse, as Diretoras foram recebidas na Casa Provincial em Paris e no Convento de Toulouse de forma generosa e acolhedora pelas Irmãs Dominicanas. Nesses encontros, partilharam a mesa, trocaram experiências, cantaram em diferentes línguas, rezaram juntas, aprenderam e ensinaram, ou seja, partilharam a vida em Comunidade.


Com a companhia da Irmã Marie Theresa, visitaram Carcassone, Fanjeux e Proullie e percorreram o caminho de São Domingos, revivendo os passos do fundador ao mesmo tempo que ampliaram a compreensão da grandeza do trabalho desenvolvido pelas Irmãs Dominicanas ao longo dos anos. Esse encontro com as raízes, retoma a memória, significa o presente e se projeta no futuro da Congregação Nossa Senhora do Rosário de Monteils. 

Relato 2 escrito por Maria de Lourdes Rossi

terça-feira, 30 de agosto de 2016

"Adultismo e Montessori"

Publicado em julho 11, 2016 por gabrielmsalomao

Em A Criança (p.21,22), Montessori disse:

“A pregação em favor da criança deve persistir na atitude de acusação contra o adulto: acusação sem remissão, sem exceção. // Eis que, a certa altura, a acusação transforma-se num centro de interesse fascinante, pois não denuncia erros involuntários, o que seria humilhante, indicando falha ou ineficácia. Denuncia erros inconscientes – e, por isso, se engrandece, conduz à autodescoberta. E todo engrandecimento verdadeiro decorre da descoberta, da utilização do desconhecido.” (grifo meu)

Nas ciências humanas contemporâneas, chamamos esses atos inconscientes que decorrem do desconhecimento de algum aspecto de nós mesmos de ideologia. A ideologia não é, como se costuma acreditar nos círculos sociais mais amplos, um véu que cega. Ela é, antes, um modo de ser determinado pelo meio social em que nos inserimos. Existem ideologias de esquerda e direita, sim. Mas também existem ideologias machistas e feministas, religiosas e ateias, e milhares de outras menos polarizadas do que essas, ou que ficam entre um e outro extremos.[1] Neste texto, defendemos algo que é já estudado em alguns espaços acadêmicos e defendido por alguns ativistas no mundo, mas pouco conhecido e ainda não associado com Montessori de forma produtiva: trata-se da ideologia adultista. Um modo de ser no mundo que privilegia o adulto em detrimento da criança e impõe a ela todas as formas de opressão.

No mundo da Natureza, tudo é feito para os menores entre nós: a água fica no chão, o abrigo fica no chão, a comida fica muito próxima do chão, em arbustos, raízes, hortaliças e pequenos animais. No mundo da natureza, uma criança de quatro ou cinco anos já encontra recursos de sobrevivência e pode beber água e comer alguma coisa sem a ajuda do adulto. Uma criança pequena pode dormir, no chão, num monte de folhas, sobre uma pedra quente, sem a ajuda do adulto.

Mas o mundo da civilização é cruel com a infância. O adulto tomou para si todos os privilégios: a água que fluía no chão para todos engarrafou-se e subiu a um metro de altura, ou escondeu-se por detrás de uma porta metálica pesada cujo pegador fica, esse também, alto demais. A comida, em sacos, pacotes, potes, gelada, congelada, alta, reservada, perigosa, venenosa, não pode mais ser comida livremente pela criança, e sua fome depende da boa vontade do adulto para ser satisfeita. O sono da criança pequena foi condicionado não só à vontade do adulto, mas à privação de liberdade da criança, que para dormir precisa ser encastelada e gradeada, isolada de tudo e de todos, sem a opção de mover-se, de se levantar, ou de ir dormir sozinha se assim deseja.

Mas a transformação do mundo físico em um mundo que privilegia o adulto – com suas mesas altas que deixam as pernas das crianças balançando e sua imensa quantidade de posses mais preciosas do que a Vida, que são constantemente protegidas por um transbordamento de “nãos” – esse mundo físico é só uma face do adultismo que oprime e destrói a formação da humanidade, hora a hora.

Outras formas de adultismo são o direito ao sim e ao não que o adulto arroga a si mesmo porque… ele é adulto. A frase “Enquanto eu pagar as contas, eu decido.” tão frágil por si mesma, mas tão forte pela tirania que a sustenta, engana-se ao sobrepor o poder do dinheiro ao poder da construção do humano, sobrepondo a produção de bens à produção de seres. Vale dizer: as crianças, depois de adultas, não devem nada aos pais simplesmente por terem sido criadas com todas as necessidades satisfeitas, material e emocionalmente. Isso é um dever do adulto para com a criança, e não uma benesse.

O adulto que bate na criança usa, sistematicamente, colocações cruéis, como “ele pediu”, “ele sabe que eu não gosto que ele faça isso” e “eu estava cansado”, como se cansaço, em algum mundo, pudesse justificar a vergonhosa violência contra a criança pequena. O adulto decide tudo pela criança: sua roupa, sua comida, seu tempo, seu espaço,seu humor. Seu humor. O adulto diz: “Você vai chorar? Eu vou te dar motivos para chorar!”. O adulto diz: “Não chora! Não tem motivo pra você chorar!”. O adulto diz: “Mas você devia ficar feliz, vai, arruma essa cara!”. Frases que se fossem ditas entre adultos beirariam o tratamento desumano e degradante, configurando, no mínimo, assédio moral, são entre pais e filhos “opções de criação e formas de disciplinar e preparar para a vida”.

A opressão que sofremos, o cansaço que carregamos, os nossos fardos, não podem justificar nunca que queiramos dividi-los, na forma insidiosa da violência sutil, com nossos filhos, nossos alunos ou as crianças que nos circundam: elas não podem carregar o fardo do adulto, ele é pesado demais. Carregá-lo deforma o humano interior da criança, da mesma maneira que deformaria sua contraparte física carregar pesos verdadeiros por dias e noites de sua infância.

Há, felizmente, maneiras por meio das quais podemos combater o adultismo, que é profundamente presente em nossa sociedade, mundo afora. Aqui, listamos só cinco maneiras, mas há muitas mais, que traremos de tempos em tempos.

1. Prepare sua casa e seu local de trabalho para receber crianças.

Abaixe a água e a comida, tenha mesas baixas, um banquinho no banheiro, e faça as mudanças necessárias para que seu filho não more na sua casa, mas na casa dele também. Preocupe-se com o gosto estético dele na escolha da decoração, e com a facilidade de acesso dele ao guarda-roupa, aos objetos de cozinha e a todo o resto que pode ser acessado por crianças. Em seu local de trabalho, da mesma maneira que você faz mudanças para receber pessoas adultas com deficiências físicas, faça mudanças para receber crianças – em sua loja, escritório ou consultório podem aparecer crianças, mesmo que elas não sejam seu público-alvo, e saber recebê-las é humano.

2. Abaixe-se para falar com crianças. 
É terrível falar com alguém que nos olha muito de cima. Para fazer a experiência, sente-se num banco baixinho e peça para um adulto íntimo seu fingir que te explica alguma coisa, sem abaixar. Agora faça a mesma coisa olho no olho. Como você se sente melhor? Agora, pense num adulto que é tirano e se impõe hierarquicamente (um chefe, por exemplo). É melhor olho no olho, não é? E é melhor falando baixo, e devagar, também, porque a criança fica mais calma, escuta melhor, e assimila mais completamente.

3. Coma numa altura confortável para a criança.

Não precisa ser sempre, é justo revezar. Mas comer no chão não é errado. Muitas culturas comem no chão. E comer no chão é confortável para a criança. Comer em cadeiras, bancos e mesas baixas também é. Se fazer as refeições assim é demais paa você, faça os lanches.

4. Nunca use como justificativa para qualquer coisa o fato de você ser adulto ou pai. 
Isso é a mesma coisa que usar como justificativa o fato de se ser branco, homem, heterossexual ou rico. É oprimir sem motivo nenhum, só porque sim, e só porque “eu posso”. Se o que você está fazendo não tem uma justificativa verdadeira,pense. Não imponha tudo. Pense. Se é possível ser flexível, seja flexível. É assim que deveríamos ser com adultos: ceder onde é possível ceder, e não ceder onde não é possível ceder. Se fazemos isso, a criança entende que quando dizemos “dessa vez não dá”, dessa vez não dá. Ela não se frustra mais, ela se frustra menos, porque passa a viver em mundo mais justo.

5. Não oprima adolescentes, nem os subestime.
É mais fácil pensar na criança quando pensamos no adultismo, porque ver a inocência da criança diante da opressão que ela sofre é óbvio e claro. Ver a inocência do adolescente é tão difícil que, numa clara tentativa de violação de direitos humanos, busca-se até a diminuição da maioridade penal. Adolescentes podem muito, se bem educados e criados, e se tiverem à sua disposição um ambiente que permita e motive seu desenvolvimento integral. Conheça as necessidades de seus adolescentes, as vontades deles, as vozes deles, e dê espaço para que essas vozes sejam ouvidas, consideradas. Se você der ao adolescente mais do que você acha que ele merece, ele vai te mostrar que merece tudo o que recebeu. Seja educado, sincero, respeitoso, e trate o adolescente mais como adulto do que como criança.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

"Manual do Proprietário de uma Criança Montessori"

Publicado em setembro 15, 2012 por gabrielmsalomao  
Texto de Donna Bryant Goertz, disponível em http://mariamontessori.com/mm/?p=1674 
Tradução de Gabriel Merched Salomão distribuída com autorização da autora

Queridos pais,
Eu quero ser como vocês. Eu quero ser exatamente como vocês, mas quero me tornar como vocês do meu jeito, no meu tempo, pelos meus esforços. Quero assistir a vocês e imitar vocês. Eu não quero ouvir vocês, a não ser por umas poucas palavras de cada vez – a menos que vocês não saibam que eu estou ouvindo. Eu quero trabalho, quero realmente me esforçar com algo muito difícil, algo que eu não consiga fazer imediatamente. Eu quero que vocês deixem o caminho livre para os meus esforços, e quero que me dêem os materiais e ferramentas necessárias para que o sucesso seja possível depois das dificuldades iniciais. Eu quero que vocês me observem e vejam se eu preciso de uma ferramenta melhor, um instrumento mais do meu tamanho, uma escada mais alta e mais segura, uma mesinha mais baixa, uma caixa que eu mesmo possa abrir, uma estante mais baixa, ou uma demonstração mais clara de algum processo. Eu não quero que vocês façam para mim, ou me apressem, sintam pena ou me parabenizem. Só fiquem calmos e me mostrem como fazer as coisas devagar, muito devagar.

Eu vou querer fazer um trabalho todinho de uma vez e sozinho porque eu vejo vocês fazendo, mas isso não funciona para mim. Sejam firmes e coloquem limites para mim nessa hora. Eu preciso que vocês me deem pequenas partes do trabalho inteiro e me deixem repetir de novo e de novo, até que eu faça tudo perfeitamente. Vocês dividem o trabalho em partes que serão muito difíceis, mas possíveis de fazer com bastante esforço, com muitas repetições e com muita concentração. Eu quero pensar como vocês, comportar-me como vocês, e ter os mesmos valores que vocês. Eu quero conseguir tudo isso pelo meu trabalho, imitando vocês. Falem devagar. Usem poucas e sábias palavras; Movimentem-se devagar; Façam as coisas em câmera lenta para que eu possa absorvê-las e imitá-las.

Se vocês confiarem em mim e me respeitarem, preparando meu ambiente doméstico e me dando liberdade dentro dele, eu vou me disciplinar e cooperar com vocês mais pronta e frequentemente. Quanto mais vocês se disciplinarem, mais eu vou me disciplinar. Quanto mais vocês obedecerem as leis do meu desenvolvimento, mais eu obedecerei vocês.

Nós temos tanta sorte, eu e vocês, que dentro de mim haja um plano secreto para o meu jeito de ser como vocês. Eu sou guiado pelo meu plano secreto. Eu sou feliz e estou seguro o seguindo. É irresistível para mim. Se vocês interferirem com o trabalho de me revelar de acordo com meu plano secreto e tentarem me forçar a ser como vocês do jeito de vocês, no tempo de vocês e pelo esforço de vocês, eu vou esquecer de trabalhar no meu plano secreto e vou começar a lutar contra vocês. Eu decidirei levantar guerra contra vocês e contra tudo o que vocês defendem. É minha natureza. É meu jeito de me proteger. Podem chamar isso de integridade.

Dependendo da minha personalidade, eu promoverei uma guerra mais aberta ou mais encobertamente. Eu brigarei mais ativa ou passivamente. Uma quantidade imensa de minha energia, do meu talento e inteligência será desperdiçada. Vocês vão ganhar no final, provavelmente, mas eu serei só uma versão mais fraca, uma substituição pobre, um molde tosco daquilo que eu sou capaz de ser, e vocês vão ficar exaustos. Por favor, aliviem a tensão para todos nós preparando o ambiente em casa para que eu possa executar meu trabalho de criar um ser humano e vocês possam se manter no trabalho de educar um. Eu farei o que faço melhor e vocês farão o que fazem melhor.

Eu sou capaz de ser o melhor exemplo de suas melhores qualidades e valores expressos do meu jeitinho. Se vocês prepararem a casa cuidadosa e completamente para mim, mantiverem meus materiais em ordem e em bom estado, colocarem limites claros e firmes, derem-me períodos longos e lentos para trabalhar no meu plano secreto, eu farei o trabalho de desenvolver um novo ser humano – eu! Eu mencionei que preciso dos materiais em todos os ambientes da casa? Eu preciso de matérias disponíveis para acesso rápido e fácil, sempre que eu estiver em casa e onde quer que vocês estejam. Eu preciso ter a opção de trabalhar e brincar perto de vocês. Na maior parte do tempo, eu preciso fazer as atividades perto da estante ao qual elas pertencem para que eu crie o hábito de guardá-las depois de usar.

Meu plano secreto para me desenvolver é executado totalmente pela mão – mãos, digo, as minhas duas, para ser exato. Eu sou um bom artista, um excelente artesão e preciso das melhores ferramentas e materiais. Não me dê coisas inúteis e em excesso, só uns bons materiais que sejam completos e estejam em bom estado. O excesso é pior que desnecessário; é perturbador. Atrapalha meu processo criativo. Me deixa irritado e eu coopero menos com vocês. Eu sei que é difícil de acreditar que por meio das atividades que eu escolho e executo independentemente e em estado de profunda concentração eu esteja desenvolvendo meu caráter, mas é verdade. Eu não posso fazer um bom caráter com um excesso de coisas inúteis e no meio da bagunça.

Minha casa é meu estúdio e meu ateliê, então por favor, certifiquem-se de que ele seja calmo e pacífico. Coloquem músicas leves e tranquilas para tocar enquanto eu estiver acordado. Assistam televisão só depois que eu estiver dormindo. Enquanto estou acordado, faço todo o barulho de que preciso. Ah, e eu preciso que tudo fique em ordem. Eu não posso dar o melhor de mim na bagunça. Eu não sei como ordenar as coisas sozinho, mas eu preciso da ordem, então eu preciso que vocês arrumem tudo para mim pelo menos três vezes por dia. Se vocês ordenarem as coisas para mim de um jeito prático e que seja esteticamente prazeroso e faça sentido para o meu raciocínio lógico, eu vou, devagarinho, imitar vocês mais e mais.

Em algum momento, vocês poderão me mandar colocar as coisas no lugar sozinho, quando eu tiver uns seis anos, desde que vocês se lembrem de checar tudo comigo até os nove anos. Eu não consigo lidar com o acúmulo de um dia inteiro de coisas para guardar, e muito menos o de uma semana inteira. Eu certamente nunca serei capaz de lidar com um mês de bagunça. Se vocês se distraírem e esquecerem de me ajudar a guardar tudo durante o dia e a bagunça se acumular, vocês vão ter que guardar tudo à noite. Eu odeio ser tão exigente, mas eu preciso ter todos os meus objetos organizados e dispostos em conjuntos completos que eu possa alcançar, de forma que eu possa pegá-los sozinho. Se eu tiver de pedir para vocês toda vez que precisar de alguma coisa, eu vou começar a me sentir um capitão, um general ou um inválido chorão. Parem e pensem, eu realmente poderia assumir um ou outro desses papéis. Nenhum de nós deseja isso. Eu preciso de independência como eu preciso de oxigênio. Ela me faz apresentar o melhor de mim. O tempo que vocês gastam organizando meu ambiente será o tempo que vocês economizarão não tendo que lidar com meu lado petulante, rebelde e teimoso.

A televisão é uma grande interrupção no meu desenvolvimento. Desculpe! Eu sei que vocês não querem ouvir isso: eu preciso de muitas atividades manuais e preciso de muito tempo de processamento. A TV me distrai das atividades mais importantes e enche minha cabeça com mais do que eu tenho tempo para processar. Leiam para mim todos os dias, porque a leitura vai devagar, e me dá tempo para processar junto. A TV me amontoa com mais do que eu sei usar, então ou eu desligo ou fico frenético. Eu sei que vocês podem achar que alguns programas são bons para mim, e vocês podem achar que merecem a folga que a TV dá para vocês, mas nós todos pagamos um preço alto para cada meia hora que eu assistir.

Eu não resisto à TV, mas tudo bem, porque qualquer criança de três a seis anos tem pais, e é para isso que os pais servem. A TV me deixa distraído, irritado, e me faz não cooperar com vocês. Quanto mais eu assistir, mais eu quero assistir, e aí surgem problemas entre nós. Se vocês não conseguem dizer não para o hábito de ver TV agora, onde está meu exemplo para dizer não para outros maus hábitos mais tarde? Além disso, quanto mais eu vejo TV, menos eu quero ser como vocês. Lembrem-se, eu imito o que assisto. Ah sim, cuidado também com os jogos de videogame e computador pelos quais eu vou implorar e que todos os meus amigos têm. Sei que vocês conseguem!

Geralmente, eu vou estar tão concentrado nos meus trabalhos e brincadeiras que não vou ouvir vocês quando falarem comigo. Não piorem as coisas falando de longe ou repetindo o que vocês disseram. Abaixem-se até o nível dos meus olhos, pertinho do meu rosto, consigam minha atenção e olhem nos meus olhos antes de falar. Então, façam das suas palavras poucas, firmes e respeitáveis. Vocês vão economizar muito sofrimento desnecessário se lembrarem de fazer assim. Eu sei que não vai ser fácil lembrar, mas se vocês se esforçarem bastante, podem fazer disso um hábito. Afinal, se vocês não fizerem o que devem, como podem esperar que eu faça o que devo?

Se você não tiverem tempo, energia ou, odeio dizer isso, autodisciplina para seguir aquilo que vocês dizem, não digam. Ameaças vãs e promessas vazias me fazem desprezar vocês. Vocês ficam parecendo bobos, arbitrários e fracos. Eu sei que eu ajo como se quisesse conduzir o universo sozinho, mas é só bravata. Eu realmente preciso de pais para conduzirem meu mundo. Quando eu não posso confiar que vocês querem dizer o que dizem, eu não posso acreditar em vocês. Isso me faz sentir inseguro e eu chego a alguns extremos. É assustador porque eu amo vocês demais. Eu preciso respeitar vocês e acreditar que vocês querem dizer o que dizem. Vocês são a parte mais importante do meu ambiente em casa.

Vocês se alegrarão de saber que parte do meu plano secreto pede que eu ajude com a casa e o jardim. Não, não pode ser quando vocês quiserem, quando vocês tiverem tempo ou estiverem com vontade. Tem que ser quando eu me interessar. Desculpe, não dá para negociar isso. Afinal, sou eu quem está criando um ser humano aqui. Vocês só estão educando um. Bom, eu acho que não serei de nenhuma ajuda, na verdade, não imediatamente ou diretamente. Vai ser uma complicação. Eu preciso do equipamento no tamanho certo, de demonstrações cuidadosas e de muito tempo e paciência.

Assim que eu tiver dominado uma habilidade, e me tornar capaz de realmente ajudar, vou cansar e escolher não fazer aquilo de novo. Aí eu vou querer aprender algo novo, que exija ainda mais habilidade e desenvoltura e vocês vão ter de começar tudo de novo. Isso vai acontecer mais ou menos uma vez por semana pelos próximos seis anos e vai ocupar bastante do seu tempo tão valioso e escasso. No longo prazo, no entanto, vai ser de grande ajuda, porque eu vou me sentir tão envolvido com a casa e com a família que serei muito mais razoável e cooperativo quanto aos nossos valores e regras. Eu também serei tão capaz, independente e autossuficiente quando eu tiver uns nove anos que é bastante razoável esperar que eu faça minha parte na casa e no jardim. Eu terei desenvolvido obediência.

Eu sei que minhas necessidades são grandes e muitas. Eu sei que estou pedindo muito de vocês, mas vocês são tudo que eu tenho de verdade. Eu amo vocês e eu sei que vocês me amam além da razão e dos limites. Se eu não puder contar com vocês, com quem eu contarei? Mas não vamos fantasiar. Não precisa ser perfeito. Eu sou forte e resistente. Eu sobreviverei e farei o melhor. Só achei que vocês poderiam querer ter o capítulo sobre Cuidados Básicos com o Ambiente Doméstico do Manual do Proprietário sobre uma Criança Montessori. Vocês podem fazer os próximos três anos serem muito mais divertidos para nós todos se cuidarem de mim conforme minhas necessidades. Ei, nós podemos combinar que vamos satisfazer 50% das minhas necessidades? Ok, Ok, 25% e não se fala mais nisso.

Amor, abraços e beijos, Seu filho de três a seis anos.

PS: Eu sei que tenho muita sorte. Não são muitos os filhos cujos pais vão realmente ouvir e atentar para suas necessidades em vez de ceder às teimosias e chororôs. Talvez eles temam que seus filhos deixem de amá-los. Talvez temam que seus filhos não sejam populares. Eu vou guardar isso para o Capítulo Seis.

Quanto mais eu assistir TV, mais eu vou reclamar por tédio, porque aos poucos eu vou perder minha tendência natural a seguir meus Períodos Sensíveis – sabem, aquela atração a certas atividades durante períodos determinados do desenvolvimento. Sem a interferência da TV, uma incansável sensação de insatisfação criativa me leva a explorar o ambiente, focar minha atenção em uma atividade, concentrar-me nela, e repeti-la. Sob a influência da TV, a mesma sensação incansável se torna um monstro de cara feia chamado “tédio”, que tiraniza a vocês e a mim, desgasta nossa relação e compromete meu melhor desenvolvimento.

– Donna Bryant Goertz, fundadora da Austin Montessori School, em Austin, Texas, atua como uma fonte para escolas ao redor do mundo. O livro de Donna, “Children Who are Not Yet Peaceful: Preventing Exclusion in the Early Elementary Classroom” baseia-se em seus trinta anos de experiência guiando uma comunidade de trinta e cinco crianças entre seis e nove anos. Ela recebeu seu diploma de Ensino Básico Montessori da Fondazione Centro Internazionale Studi Montessoriani, em Bérgamo, Itália, e seu diploma de assistente para a infância pelo The Montessori Institute of Denver, no Colorado.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

"A escolha é sua"

11 minutos. Uma soneca. 11 minutos. Um tempo tirado para lanchar. 11 minutos. Um vídeo na internet. 11 minutos. Um estupro. No Brasil a cada 11 minutos uma mulher é violentada, somente no Rio de Janeiro são 12 por dia. Essa é uma realidade chocante, mas longe de ser alterada, isso porque vivemos em um país com uma generalizada cultura do estupro e que provém da própria cultura machista que diminui e objetifica a mulher e que absurdamente se fortalece a cada dia.

O termo ‘cultura do estupro’ se refere à normalização da violência contra a mulher e que encoraja homens a praticarem agressões sexuais contra as mesmas. Esse termo ganhou destaque após o caso recente da jovem de 16 anos estuprada por 30 homens em uma favela do Rio de Janeiro. Confesso que mais assustada do que fiquei ao saber da tamanha barbárie foi quando, acessando redes sociais, deparei-me com um verdadeiro bombardeio de comentários absurdamente machistas, culpando a vítima pela própria violência sofrida. Foi nesse momento que tive a comprovação de como o Brasil está afundado em uma deplorável e inaceitável cultura do estupro.

O estupro é um dos poucos crimes, se não o único, no qual a vítima é considerada culpada e sabe por quê? Porque a arrematadora maioria das vítimas são mulheres e as mulheres são constantemente diminuídas ao papel de meros objetos dos homens. Uma confirmação disso é o fato desse caso da jovem carioca não ter tido repercussão até que mulheres, principalmente, feministas demonstraram sua indignação e exigiram a punição do crime nas redes sociais, caso contrário ele entraria na gigantesca lista de estupros ignorados pela sociedade brasileira.

A cultura do estupro é ‘filha’ do machismo, dessa deplorável crença de que as mulheres são inferiores aos homens, de que são peças do jogo do prazer do sexo masculino. E mais deplorável ainda é saber que esta cultura é alimentada pelos próprios brasileiros que disseminam o ódio às mulheres e que as culpam por um crime hediondo cometido contra elas mesmas. Enquanto houver machismo, haverá estupro; enquanto existir comentários sexistas que diminuem as mulheres, haverá estupro; enquanto a sociedade brasileira fechar os olhos para a cultura do estupro, haverá estupro; enquanto você fingir que não existe machismo nem cultura do estupro, haverá estupro.

Então você pode agir para combater essa realidade ou pode ignorá-la e tornar-se um cúmplice de todos os agressores desse país, pois a escolha é somente sua.

Texto escrito pela aluna Eduarda de Castro Lacerda - 3ª série "A". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quinta-feira, 2 de junho de 2016

"Sob a mira dos paparazzi: a era da lousa digital"

Recentemente, estudantes utilizam um novo método para registrar as anotações da lousa escolar: a fotografia. Apesar das restrições escolares à tecnologia do celular, a prática intensifica-se cada vez mais.

Há discussões entre alguns profissionais acerca do assunto neurológico, ou seja, a cópia manual das informações dispostas na lousa estimula o trabalho cerebral e promove o aprendizado, sendo a fotografia, portanto, um método ineficiente. Em contraposição, alguns alunos afirmam que se trata de um bom método, já que a fotografia lhes permite prestar uma atenção maior no que está sendo dito pelo professor.

Um outro problema discutido é a questão da distração. Apesar do fato de que a escola deve acompanhar a ascensão da tecnologia, o celular pode não ser uma boa opção, principalmente pela infinidade de aplicativos que podem retirar a atenção do aluno.

Entrando novamente na questão neurológica, há pesquisas que comprovam que o cérebro seleciona as atividades por interesse e não por necessidade, acarretando, desse modo, na perda de atenção da atividade mais entediante, ou seja, a aula.

Apesar disso se aplicar à maioria dos alunos, é possível atrelar escola, aprendizado e tecnologia e resolver esses problemas, ensinando os alunos a utilizarem a tecnologia como ferramenta para o processo de aprendizado, e como ferramenta de pesquisa e busca de conhecimento extra.

Não há como negar que o bloqueio da tecnologia na escola é inútil. Trata-se, esta, de uma instituição formadora de novas mentes e deve estar adaptada às necessidades e à realidade dos alunos. Desse modo pode-se garantir maior sucesso e eficiência do objetivo principal da escola: transmitir conhecimento.



Texto escrito pela aluna Mariana Amaral - 3ª série "A".

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quinta-feira, 12 de maio de 2016

"Segurança alimentar no Brasil"

O problema com a alimentação vem de muito tempo atrás, desde quando Malthus lançou sua teoria de que a população cresceria tanto que faltaria alimento para as pessoas. Em contraste com essa teoria, surgiu a Revolução Verde, que melhorou a agricultura e a pecuária, fazendo assim com que a comida não faltasse. Entretanto no Brasil atual ainda existe fome e para suprir essa fome as indústrias e os produtores fazem de tudo, inclusive usar agrotóxicos e hormônios proibidos no país para estimular a produção, afetando de certo modo a segurança dos alimentos.

Em princípio, ter uma boa alimentação, ou seja, uma alimentação balanceada que inclui legumes, verduras, frutas e carne, é essencial para uma boa saúde, e é o que dizia Hipócrates “Faça do seu alimento sua Medicina e da sua Medicina seu alimento”. Todavia, para que isso aconteça, é preciso que a comida tenha uma boa qualidade, mesmo sendo considerada natural e saudável, já que, se esses alimentos forem considerados ruins por conta de agrotóxicos, pode-se afirmar que seriam também fontes de doenças no Brasil contemporâneo e desse modo não se pode obter segurança sobre o que se consome.

Isso tem ocorrido com muitas frutas e vegetais, como o tomate, a batata e o abacaxi. Além disso, tais agricultores estão usando agrotóxicos proibidos por lei no país, o que causa danos irreparáveis não só à saúde da população, mas também à fauna e à flora. Acrescido a isso, destaca-se também o uso de hormônios por pecuaristas para aumentar a produção de aves e os conservantes que as indústrias usam para deixar seus produtos mais duráveis e bonitos.

Um bom exemplo disso são as empresas, como a Copervale, que utilizou um composto químico com soda cáustica e ácido cítrico para aumentar o volume e estender a validade do leite, sendo considerado nocivo à saúde humana e causando consequências à população. Nesse caso, notou-se uma despreocupação da empresa em relação ao bem estar da população, já que, de modo geral, a preocupação é apenas com quantidade de produção e obtenção de lucros, tanto para as indústrias quanto para os produtores rurais.

Portanto os alimentos no Brasil atual não são seguros e podem acarretar problemas graves à população. Desse modo, para que a nutrição brasileira passe a ser mais segura, é preciso que os produtores reduzam os agrotóxicos nas plantações, substituindo-os por produtos menos tóxicos para que os alimentos sejam mais confiáveis. Outra medida que deveria ser adotada é que o Estado puna por meio de multas empresas que abusam dos conservantes para que assim a qualidade melhore e os alimentos do nosso país sejam mais seguros.



Texto escrito pelo aluno Guilherme Minaré Alves - 3ª série "A". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Atividade Ensino Médio: Semelhança de triângulos e teorema de Tales

Durante as aulas de Matemática, os alunos da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Nossa Senhora das Dores realizaram uma atividade ao ar livre sob a orientação do Professor Djalma Gonçalves.

Acompanhe aqui, o registro parcial da atividade desenvolvida pelos alunos dominicanos.









quinta-feira, 28 de abril de 2016

"Há eficácia nas ações de combate ao Aedes aegypti no Brasil hoje?"

São notáveis os vastos problemas para a saúde brasileira que o mosquito Aedes aegypti vem trazendo nos últimos tempos. Devido ao inseto ser um hospedeiro intermediário, ou seja, um vetor de transmissão e, nesse caso, não apenas de uma e sim de várias doenças causadas por vírus, como a dengue, a zika e a chikungunya, é necessário que seu combate seja constante e bastante eficaz, o que não condiz com o descaso do Estado em prevenir sua propagação.

Entretanto, sabe-se que o mosquito se reproduz em locais onde há ocorrência de água parada, tornando seu combate às vezes mais acessível pela população do que ao Estado, mesmo porque há lugares nos quais o próprio Estado não garante uma boa condição de higiene e uma fiscalização regular, fazendo com que a erradicação desse vetor seja dificultada. Em vista disso é importante destacar que o apoio do Governo é imprescindível para que haja a conscientização da população sobre a importância da eliminação do mosquito para que os casos dessas doenças deixem de ser exorbitantes.

Para o filosofo Hegel, o Estado é uma família em ponto grande, é substância ética consciente de si mesma, ou seja, o Estado coloca-se como um organismo vivo, compacto e unitário, uma verdadeira família ampliada e, como sendo uma família, faz-se necessário o cuidado com todos, colocando em evidência a importância da formação educacional, que traz consigo o cidadão consciente de suas atitudes, como a da eliminação dos focos do mosquito, buscando uma sociedade livre dessas doenças.

Em noticiários, é possível perceber que os casos de dengue são encontrados em todas as regiões do país, todos os anos, assim como as novas doenças vêm se espalhando também e um exemplo é a microcefalia em bebês decorrente da mãe contaminada por zika durante a gestação. Por conta desses inúmeros problemas causados pelo Aedes aegypti, as ações de combate a esse mosquito devem ser levadas mais à sério pelo Estado.

Logo, para que haja uma maior eficiência dessas ações, é necessário que Governo, família e escola promovam projetos para conscientizar as crianças, montando grupos para passarem nas casas, verificando e orientando a população a eliminar possíveis focos de mosquito, além de realizar uma fiscalização mais frequente nos bairros mais pobres de modo a garantir também uma boa higiene nesses lugares “esquecidos” pelo poder público.

Produção de texto desenvolvida como parte das atividades relacionadas ao Aulão Interdisciplinar sobre o Aedes Aegypti realizado nesta quarta-feira (27) com os alunos dos 9ºs anos e Ensino Médio.



Texto escrito pela aluna Gabriela Alves Costa da - 3ª série "A". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Madre Anastasie - uma história de fé



Marie Alexandrine Conduché nasceu em Compeyre, num meio rural, de uma família simples e num ambiente cristão de qualidade. Essa qualidade de vida humana e cristã Alexandrine vivenciará no seu meio familiar e na vida religiosa a que foi chamada por aí, como fundadora, mestra de noviças, priora geral e líder do primeiro núcleo de Irmãs que, sentindo a chama missionária, foi vivenciando a fraternidade e atraindo sempre mais vocações a Deus.

 Madre Anastasie foi uma grande mulher, uma autêntica religiosa e uma grande filha de São Domingos.

A seu tempo, o campo que se oferecia ao trabalho apostólico das jovens se limitava às profissões de educadora e enfermeira. Foi assim que, aos 14 anos, ela entrou num projeto de escola e de fundação de uma congregação, projeto esse já amadurecido na mente e no coração de seu tio Pierre Gavalda.

Desde o início, Madre Anastasie levou a sério a educação das crianças e adolescentes, sobretudo a educação dos pobres que as Irmãs deviam acolher gratuitamente. Desde o início, levou a sério o serviço aos enfermos, sobretudo dos pobres, os quais deviam ser cuidados gratuitamente e com o mesmo zelo e exatidão que se dispensava aos ricos: "É preciso visitar os doentes, sobretudo os pobres. Essas visitas são santas". (V-201, doc. 537). Madre Anastasie preocupava-se vivamente com um ensino de qualidade. Sempre incentivada e buscava meios de aprimorar a cultura das Irmãs. Enfatizava a importância do estudo: "Não sacrifique a hora de estudo. É seu ofício canônico" (IV - 162, doc. 414, cf. IV - 117, doc. 398).

Ditava às professoras a atitude que deviam tomar frente às crianças e adolescentes que ela tanto amava e para as quais exigia o bem-estar; salas espaçosas, jardim e que não houvesse salas de aulas com mais de 25 alunos. Exigia que se esmerasse na educação religiosa. Para a Confirmação, as meninas deviam conhecer e explicar o catecismo, conhecer as epístolas e os evangelhos (V-133, doc. 509).

Madre Anastasie era uma mulher forte e de muita coragem. Enfrentava inspetores, prefeitos, sacerdotes, bispos, sempre que a defesa de suas escolas, o direito das comunidades e da congregação o exigissem.

Chamada por um sacerdote "a religiosa do bom senso", Madre Anastasie de fato o foi. Era muito prática. Trabalha a lã, como a mulher forte da Bíblia, que riu no último dia. Suas cartas são portadoras de uma carga densa de recomendações. Vêm frequentemente à baila assuntos sobre meias de lã pra o frio, legumes, queijo, café, lenha para o fogo, aquecedor, providenciar um bom trivial, em lugar de remédios, receita de óleo de fígado de Morue e o vinho branco que devia regar a paz e o convívio fraterno. (V-117, doc. 503 e passim).

No dia 21 de abril de 1878, aos 45 anos, morre Alexandrina, Madre Anastasie, na Congregação, deixando às suas irmãs a missão de continuar a obra de evangelização por ela iniciada. (Giselda Bortoletto Ribeiro - Jubileu número 4).

Fonte: "Dominicanas: cem anos de missão no Brasil" 
(Livro disponível na Biblioteca CNSD)

quinta-feira, 14 de abril de 2016

"O homem submisso à sua própria criação"

O Mito da Caverna, escrito pelo filósofo Platão, fala sobre uma caverna onde prisioneiros viviam desde seu nascimento, olhando para a parede do fundo iluminada pela luz de uma fogueira, enxergando apenas sombras das estatuetas, imaginando que estas são reais. Esse mito, na verdade, é uma alegoria da maneira como o ser humano tem uma visão distorcida da realidade, vendo e acreditando apenas no que é apresentado pela cultura e até mesmo pelas mídias. Nesse caso, a caverna representa o mundo, em que as imagens mostradas não condizem com a realidade, e esta só é mostrada quando há a libertação das influências as quais estão submetidos.

É evidente que as mídias influenciam significativamente na vida do ser humano moderno, fazendo com que as realidades sejam apresentadas a ele de acordo com os interesses e as opiniões do veículo apresentado. No entanto, o homem deve ter a consciência de que é imprescindível e procurar saber a veracidade das notícias que o cercam diariamente, seja qual for a mídia que trouxera a informação.

Por outro lado, é inegável que a tecnologia traz consigo grandes avanços, tais como a facilidade de comunicação e de informação, entretanto seus usuários nem sempre sabem como fazer o uso inadequado da mesma. Acabam por falar tudo aquilo que ouvem, principalmente quando se trata de política, em que muitos reclamam da corrupção, dos partidos e do próprio governo em si, mas não sabem nem mesmo qual o motivo e nem o modo como podem colaborar para que alguma mudança seja feita, evidenciando a falta de interesse dos cidadãos em procurar saber e quão grande é sua vontade de reclamar.

Além de jornais, as novelas são mídias que atraem os espectadores para que possam fugir da realidade, baseando-se em tudo aquilo que lhes é apresentado, podendo se considerar uma verdadeira fuga, em que os personagens e o enredo retratam o que muitos de seus espectadores adotam como filosofia de vida.

 Logo, entende-se que o ser humano está sendo escravizado por tudo que ouve e vê através da mídia, ou seja, esta tem o controle de seus corpos e de suas ações, fazendo com que um veículo de informação se torne uma grande ameaça aos seus próprios criadores que, ao invés de fazer dele um bom uso, os homens acabam por perder seu discernimento na interpretação da realidade, entrando novamente no mundo, representado pela escuridão e pelas sombras da caverna.




Texto escrito pela aluna Gabriela Alves Costa da - 3ª série "A". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

terça-feira, 12 de abril de 2016

"A importância da biodiversidade"

O homem precisa da biodiversidade tanto pelo lado da saúde e tanto pelo lado comercial, mas o homem tem que conservar, pois ele é o dominante da Terra e é o dever moral. Nós temos que ter consciência que um dia irá acabar e não teremos mais recursos.

A biodiversidade é como uma máquina, se uma coisa parar de funcionar, tudo irá parar de funcionar. Duas dessas coisas, por exemplo, são animais e plantas, se um animal for extinto (rato), não terá o predador o que comer (cobra). Se não tem mais peixes, a pesca pode acabar, se não tiver mais agentes polinizadores acabará a agricultura. Não terá mais vistas bonitas na natureza, as plantas, as cachoeiras, as florestas, os bosques, os parques, etc.



Texto escrito pelo aluno Breno Daniel Braga Salomão - 5º ano "C".

Projeto desenvolvido com o livro "O Fantasma Escritor e as Cartas Misteriosas" durante as aulas de Redação - Professora Nilva Felix.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

"A literatura terrorista"

São inúmeros os livros que vivem em nossa cabeceira. Inúmeros, ainda, são as distopias que tomam conta da imaginação e da tão próxima realidade do leitor. A literatura terrorista mexe com nossas mentes e zomba de nossas atitudes, de modo muito bem premeditado e bem criado, com todas as hastes necessárias para ligarmos aquela realidade despótica com a nossa.

Temos inúmeros exemplos de literatura terrorista, como as trilogias: “Divergente”, “Jogos Vorazes”, “Delírio”, “Starters”, “Maze Runner”, entre vários outros. Esses são os livros que nos mostram o terror e as consequências de nossas atitudes, em variadas versões, com variados estilos, mas um fato é decorrente neles: tudo ocorre por causa de uma guerra ou por uma sucessão de guerras.

Há também as produções Hollywoodianas, como o filme “O Preço do Amanhã” ou a série “The 100”. Essas, também, não se provam como uma verdade absoluta, já que narram um futuro criados por autores, diante de seus notebooks, revoltados demais para com o mundo em que vivem para escrever algo além do que acreditam que todo esse alvoroço irá gerar. E não é um futuro bonito. São facções que designam pessoas para uma única forma de vida; são Jogos assassinos que usam crianças para doutrinar o medo; é a concepção de que o amor é uma doença e que esta precisa ser extinguida; é a ruína de um mundo pela ganacidade humana, pelas guerras e pelos terrorismos criados por nós mesmos, pela necessidade de comparar o dinheiro (o grande combustível da vida de cada ser humano) com algo tão vital quanto o tempo. Essa é a denominada “literatura terrorista”, porque nos aterroriza e nos mostra que foi o terrorismo que nos levou à tal fim.

Pode-se designar grande (ou gigantesca) parte da culpa ao capitalismo errante que move nossa sociedade atual. Ele que faz o dinheiro parecer razão suficiente para destruir vidas, conquistar povos e dominá-los, em busca, cada vez mais, por dinheiro. Como se um pedaço de papel ou inúmeros pedaços de papéis possam fazer da vida algo tão fácil de se destruir e consumir, quanto o fogo consome, queima e destrói o papel.

A literatura terrorista toma, todo dia, um pouco mais de espaço em nossas cabeceiras, porque ela não só entretém, como faz pensar e rever as ações da sociedade como um todo. Ela mostra, de uma forma literária e futurística, por meio de sérias previsões do futuro, como todas essas guerras e terrorismos que mancham o mundo de vermelho e de preto irão se concretizar em mais medo, mais sangue e mais domínio.

O autor de uma distopia se prende a acontecimentos presentes e suas consequências, como um jogo de “ação e reação”, no qual sua imaginação o guia para um fim. A verdade, no entanto, é que são as guerras e o sangue derramado (por nada) que geram curiosidade, o que nos motiva a encontrar uma alternativa para a situação, desprendendo-nos da cruel realidade, gerada por palavras mal interpretadas e desejo de domínio constante um sobre os outros. O mundo trata a guerra com mais guerra, como tratam doenças com mais doenças para encontrar uma vacina. Mas guerras não são doenças as quais podemos interceptar com vacinas ou curas. Não se combate fogo com mais fogo.

Mal sabe o pobre e inocente humano que quanto mais armas, mais tiros serão disparados.



Texto escrito pela aluna Luiza Aparecida Chaves Ranuzzi - 2ª série "B".

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Por que 1º de abril é o dia da mentira?


A brincadeira surgiu na França, no reinado de Carlos IX (1560-1574). Desde o começo do século XVI, o ano- novo era comemorado em 25 de março, com a chegada da primavera. As festas, que incluíam troca de presentes e animados bailes noite adentro, duravam uma semana, terminando em 1º de abril. Em 1562, porém, o papa Gregório XIII (1502-1585) instituiu um novo calendário para todo o mundo cristão - o chamado calendário gregoriano - em que o ano-novo caía em 1º de janeiro.

O rei francês só seguiu o decreto papal dois anos depois, em 1564, e, mesmo assim, os franceses que resistiram à mudança, ou a ignoraram ou a esqueceram, mantiveram a comemoração na antiga data. Alguns gozadores começaram a ridicularizar esse apego enviando aos conservadores adeptos do calendário anterior - apelidados de "bobos de abril" - presentes estranhos e convites para festas inexistentes. Com o tempo, a galhofa firmou-se em todo o país, de onde, cerca de 200 anos depois, migrou para a Inglaterra e daí para o mundo.

Fonte: Mundo Estranho

Dica da Biblioteca CNSD 

quinta-feira, 31 de março de 2016

"O verbete 'corrupção' e seus significados"

A corrupção no Brasil já é um mau hábito e faz parte da sociedade estando ela ligada a ações minimalistas do dia a dia ou tendo atenção pesada da mídia em grandes escândalos políticos. A verdade é que, com o tempo, o significado real de “corrupção” passou a ser esquecido ou alterado, de modo que os brasileiros em geral, também corrompidos por seus pequenos atos ilegais que incluem furar a fila, colar nas provas e comprar produtos pirateados, veem como corruptos apenas os políticos que de alguma forma desestabilizam fortemente a ordem do país.

O que a grande massa se esquece é que a corrupção está mais perto do que parece. Pequenos atos “espertos” pertencentes ao famoso “jeitinho brasileiro” são tão corruptos como o Mensalão, por exemplo, diferindo-se com relação à quantidade e assemelhando-se na ação em si. Acontece que a corrupção seduz, mostra uma facilidade que não seria possível seguindo um caminho “legal”, e o brasileiro, como já é de conhecimento geral, prefere tudo que é mais simples.

Questões como a corrupção são difíceis de serem resolvidas, porque envolvem costumes há muito incluídos na cultura do povo brasileiro. Sabe-se que, historicamente, já no período da colonização, a matéria-prima brasileira era contrabandeada para Portugal em prol do desenvolvimento do Império. Era com certeza um ato de corrupção que dita as regras dos bons costumes até os dias atuais no Brasil. Depois de tanto tempo, corrupção se tornou algo comum quando não afeta fortemente o desenvolvimento social do país.

Em suma, conclui-se que, apesar da grande revolta que a maioria dos brasileiros têm quando se fala de corrupção, este é um ato já incorporado na cultura do Brasil graças a um início histórico conturbado e corrupto que induziu uma evolução temporal caracterizada por esse mesmo valor ético negativo. É triste perceber que apesar da busca constante por justiça, o povo brasileiro não compreende como atos corruptos suas pequenas falhas do dia a dia, que já representam grande influência às futuras gerações brasileiras, perpetuando assim uma linha temporal histórica.



Texto escrito pela aluna Júlia Barbassa França - 2ª série "B"

Professora Responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quarta-feira, 23 de março de 2016

"Ser Páscoa"

É ser capaz de mudar,
É partilhar a vida na esperança,
lutar para vencer toda sorte de sofrimento,

É dizer sim ao amor e à vida,
É investir na fraternidade,
É lutar por um mundo melhor,
É ajudar mais gente a ser gente,
É viver em constante libertação,
É crer na vida que vence a morte.
Felicidades.

Autor Desconhecido


Biblioteca CNSD: sugestões de leitura!

"Fronteiras sociais: a cegueira de um povo"

As fronteiras sociais são encarregadas de fazerem as limitações entre duas classes diferentes, atribuindo enormes contrastes sociais às cidades. Esses, no entanto, são descaracterizados pelo efeito da glamourização das favelas, em que atribui a tal população a alegria constante e o cenário propício ao alcance da simplicidade e da felicidade. Essas atribuições se dão pela falta de iniciativa do próprio Estado e da população em consertar os problemas existentes em tal ambiente, tornando-se cegos em meio à caracterização inventada.

A forte ilusão do cenário próspero em favelas é um dos problemas que impedem a melhora da mesma. A felicidade relatada por membros de fora é capaz de iludir a população brasileira, o governo e até a população estrangeira, que, segundo pesquisas do Ministério do Turismo, interessam-se em visitar favelas e interagir com seus integrantes. Essa glamourização é ainda reforçada pela mídia através de programas como “Esquenta” de Regina Casé que retrata a favela como um ambiente simples, mas com música, churrasco, danças e sorrisos.

No entanto, essa retratação agrava as fronteiras sociais existentes entre as classes, uma vez que a acobertação de problemas como o tráfico de drogas, falta de saneamento básico, desigualdade, violência e pobreza são ignorados diante de elogios de uma classe social superior, e, assim, aumenta gradativamente o índice desses problemas.

Tal ignorância diante dos contrastes sociais ainda são capazes de afetar o país como um todo em índices de pesquisas como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e IFH (Índice de Felicidade Humana), e, mais importante, impede que as comunidades obtenham ascensão, tanto social, quanto em relação ao ambiente em que vivem.

Portanto, a glamourização das favelas é só mais uma das formas de ignorar os problemas sociais crescentes dentro de uma comunidade separada naturalmente por uma fronteira social, a qual alarma justamente esses problemas acobertados por uma população e por um governo que preferem cegar-se diante de uma dificuldade a enfrentá-la.



Texto escrito pela aluna Marina Basso Stival Soares - 3ª série "a". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

segunda-feira, 21 de março de 2016

"Dia da Poesia"

A poesia para mim
é como sinônimo de alegria.
Toda vez que eu faço uma,
tudo me contagia!

Poesia é diversão,
poesia é canção!
Poesia é paz
que acalma o meu coração.

Quando faço poesia,
solto a minha imaginação.
Pois seus versos
são uma linda canção.

Para mim, toda dia
é dia de poesia.
Pois quando escrevo uma,
meus dias se resumem em alegria!

 Poesia escrita pela aluna Anna Alice O. Caldeira - 6º ano "B" - Ensino Fundamental 2 em homenagem ao "Dia Mundial da Poesia" [21 de março]

quinta-feira, 17 de março de 2016

"A descriminalização do consumo de drogas no Brasil"

Hoje em dia, muito se sabe a respeito das sérias consequências e dos efeitos colaterais que o consumo de drogas traz para seus usuários. Assim, a descriminalização desse consumo, especialmente no Brasil, causaria mudanças drásticas no pensamento das pessoas e em suas culturas, uma vez que com isso as sociedades passarão a enxergar as drogas como algo normal e que pode ser consumido sem gerar danos à saúde.

Segundo o sociólogo Durkeim, o fato social são as regras criadas para a vida social e uma de suas características é a coercitividade, a qual pressionaria os indivíduos a cumprirem as determinações da sociedade na qual estão inseridos. Com base nisso, é possível concluir que a grande maioria das pessoas se sentem pressionadas a não ingerir drogas, justamente pelo fato de ser considerado incorreto segundo a pressão social. Porém, a partir do momento que essa atitude for descriminalizada, sua incidência aumentará e as pessoas passarão a vê-la com certa naturalidade e também aderirão a ela, o que significaria uma mudança no que fora determinado anteriormente por esta mesma sociedade.

Somado ao aumento de consumidores de drogas, virá também o aumento de doenças como enfisema pulmonar, desnutrição, cirrose e câncer no fígado, insuficiência renal, entre outras. Com isso ocorrerá conjuntamente o aumento de mortes precoces, visto que o sistema de saúde público brasileiro não oferece um tratamento digno, abrangente e eficaz e nem todos têm condições de pagar por planos privados de saúde. Isso tudo seria acarretado pela ingestão de substancias, até então proibidas, como a maconha, a cocaína, o crack, entre outras.

Com isso conclui-se que a descriminalização do uso de drogas gerará inúmeros prejuízos para as sociedades atuais e mais ainda para as gerações futuras, as quais conviverão com um maior e mais fácil acesso a essas substâncias e sofrerão as consequências disso. Além de que o próprio Brasil será afetado, posto que com o aumento de mortes precoces e longevidade – um dos critérios para medir o índice de desenvolvimento humano de um país – também sofrerá quedas.




Texto escrito pela aluna Gabrielle Beatriz Rocha de Paiva - 2ª série "A".

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quinta-feira, 10 de março de 2016

"A mulher brasileira"

Já no início dos tempos, o “sexo frágil” era considerado inferior aos homens por ser mais fraco e ter como única finalidade, cuidar da casa, do marido e dos filhos. Acontece que a inferioridade leva à possessão, que leva à violência: um dos problemas mais sérios da sociedade atual brasileira.

O Brasil, apesar do desenvolvimento tecnológico e por vezes social, é extremamente conservador e patriarcal, de modo que muito da sociedade ainda vê como natural a violência contra as mulheres. Foram criadas, como forma de tentativa de contenção dessa mentalidade antiquada, leis que garantem a segurança feminina em casos de violência. A Lei Maria da Penha, inserida no código penal brasileiro após a denúncia de uma mulher com esse mesmo nome contra seu marido que a agredia e causou sua paraplegia, coloca a violência feminina como um crime, e como tal cabível de punições prescritas na lei que vão de advertências até o cárcere.

Em outras partes do mundo, porém, as mulheres são vistas como deusas e até mesmo superiores aos homens per darem continuidade à raça humana, costume de mentalidade muito comum de várias tribos africanas. Vê-se, portanto, que a forma como as coisas são vistas muda de cultura para cultura, mas deve-se ter cautela no modo como manifestar a sabedoria popular, além de que o conhecimento acerca da igualdade de gêneros é de suma importância para o desenvolvimento justo e saudável da nação.

Nesse sentido, deve-se, ao invés de julgar os pontos negativos de culturas diferentes, mirar-se em seus pontos positivos e louváveis, muitas das vezes deficientes no Brasil, uma atitude que deve ser encorajada pelos governantes, por meio de propagandas para todos os públicos de todas as idades, tanto nas redes sociais como nas instituições de ensino, além de que a abordagem do tema nas escolas pelos professores, fontes de inspiração aos alunos, aumentará a consciência dos brasileiros acerca da igualdade de gêneros no Brasil.



Texto escrito pela aluna Júlia Barbassa França - 2ª série "B". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quarta-feira, 9 de março de 2016

Gabriel García Márquez relata ter aprendido a ler pelo método Montessori

Aprender a Ler 

Tive muita dificuldade em aprender a ler. Não me parecia lógico que a letra «m» se chamasse «éme» e, no entanto, com a vogal seguinte não se dissesse «éme» e sim «ma». Era-me impossível ler assim. Por fim, quando cheguei ao Montessori, a professora não me ensinou os nomes mas sim os sons das consoantes. Assim pude ler o primeiro livro que encontrei numa arca poeirenta da arrecadação da casa. Estava descosido e incompleto, mas absorveu-me de uma forma tão intensa que o namorado da Sara, ao passar, deixou cair uma premonição aterradora: «Caramba!, este menino vai ser escritor».

Dito por ele, que vivia de escrever, causou-me uma grande impressão. Passaram vários anos antes de saber que o livro era «As Mil e Uma Noites». O conto de que mais gostei – um dos mais curtos e o mais simples que li — continuou a parecer-me o melhor para o resto da minha vida, embora agora não esteja seguro de que fosse lá que o li nem ninguém me tenha podido esclarecer. O conto é este: um pescador prometeu a uma vizinha oferecer-lhe o primeiro peixe que pescasse se ela lhe emprestasse um chumbo para a sua rede e, quando a mulher abriu o peixe para o frigir, tinha dentro um diamante do tamanho de uma amêndoa.

Gabriel García Márquez, in ‘Viver para Contá-la’ 

Fonte: Conti Outra

quinta-feira, 3 de março de 2016

Desastre ambiental em Mariana: acidente ou crime?

No dia 5 de novembro de 2015, 33 milhões de rejeitos de minério de ferro vazaram por conta do rompimento da Barragem do Fundão, em Minas Gerais, controlada pela empresa Samarco. O desastre deixou 15 mortos e impactos incalculáveis ao meio ambiente e às populações afetadas. No entanto ainda resta uma questão a ser respondida: afinal, o desastre foi acidente ou crime?

Utilizando o slogan “desenvolvimento com envolvimento”, a mineradora Samarco se mostrou bem distante dos ideais apresentados ao agir com total negligência na prática das leis ambientais, na manutenção da barragem, a qual já havia sido classificada como de “dano potencial alto” por especialistas, e na segurança da população que vivia perto da área de extração, pois a empresa, obrigatoriamente, deveria oferecer um sistema de alarme à população para casos de acidentes. Esse descaso justifica a tese de crime.

Tal negligência gerou o que foi considerado o maior desastre ambiental criminoso do Brasil, causando inúmeros impactos ambientais como a contaminação do Rio Doce pela lama tóxica, impedindo a existência de vida no rio, que ainda está sem previsões de recuperação e que era também um importante meio de sustento para as populações ribeirinhas. Outro agravante foi o avanço da lama até o estado do Espírito Santo, afetando 35 cidades e chegando ao oceano atlântico, berço de espécies essenciais para o equilíbrio ecológico do planeta. Em adição existem também os prejuízos socioculturais, pois o moradores de Bento Rodrigues, município mais afetado, perderam todo seu patrimônio material ou imaterial e necessitarão reescrever uma nova história.

É importante lembrar que na principal área de extração de minério de ferro do Brasil, Serra dos Carajás no Pará, a lavagem dos rejeitos é feita a seco, método seguro e sustentável, muito utilizado em outros países, o qual a mineradora Samarco decidiu não adotar por ser mais caro, deixando claro que o lucro foi colocado acima da segurança ambiental, o que reforça a tese de que a tragédia não foi um mero acidente.

Assim, ao agir com negligência e optar por métodos não sustentáveis, a empresa Samarco assumiu o risco de acidentes, o que coloca o desastre como sendo um crime culposo, quando se faz algo possível de ser evitado. Para impedir que outros desastres, como o de Mariana, ocorram, é necessário que o Governo reforce a fiscalização nas barragens para garantir o cumprimento das leis ambientais por meio de uma plano efetivo de multas e autuações e, caso não estejam sendo cumpridas, cabe às autoridades responsáveis cobrar as multas das mineradoras omissas. Somado a isso, por parte da Mídia, seja televisiva, radiofônica ou mídias sociais, deve-se pressionar as mineradoras para o correto cumprimento das sanções e recuperação do patrimônio perdidos, com reportagens, denúncias e manifestações a fim de que sirva de exemplo para que outros desastres sejam evitados.

Texto escrito pela aluna Eduarda de Castro Lacerda - 3ª série "A". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A sombra negra da cultura branca

É muito comum hoje em dia, tratar a cultura africana como algo diferente da cultura própria brasileira, mas, historicamente, o povo brasileiro compreende nas veias e no coração uma mistura incontestável de culturas, sendo a africana indispensável no resultado final.

Metade do vocabulário brasileiro, por exemplo, descende dos negros africanos: pipoca, feijoada, capoeira e muitas outras palavras migraram da África para o Brasil nos navios negreiros juntamente com seus falantes e aqui criaram raízes por mais que tenham sido repreendidas.

Mas, como diz Maquiavel em sua extraordinária obra “O príncipe”, a cultura de um povo não deve ser contestada, pois assim o dominador passa a ser odiado e focos de rebeliões rugem no território. Esse acontecimento, combinado com a louvável maioria da população negra em relação aos brancos, gerou tumultos, fugas e um nacionalismo crescente por parte dos negros traficados que fizeram da cultura brasileira o que é hoje: rica, própria e “preta”, tanto no que diz respeito à culinária, às lutas e às danças, à linguagem e às crenças quanto ao que diz respeito à religião (como o Candomblé, por exemplo).

Como diz o poeta, “o tiro saiu pela culatra”: enquanto os brancos dignos do poder de fé e de riquezas tentavam sem descanso exterminar a cultura africana no Brasil, ela tomou força e acabou por ser praticada em sigilo, nos terreiros, nos quilombos e nas senzalas, desafiando senhores de escravos e impondo uma cultura ancestral que hoje é obrigatória e digna de ensino nas escolas brasileiras.

Apesar de toda essa caminhada dolorosa e necessária que tanto enriqueceu a cultura brasileira, o racismo ainda se faz presente entre uma maioria da população do Brasil, o que prova que o maior problema do ser humano, que causa mortes, guerras, destruição e tragédias é o desprezo pelas culturas diferentes e a valorização única e exclusiva da própria crença, um conceito de geografia chamado de xenofobia, um dos maiores problemas mundiais da atualidade.



Texto escrito pela aluna Júlia Barbassa França - 2ª série "B". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"O legado africano no Brasil"

Desde que os portugueses chegaram ao Brasil e aqui colonizaram, sua principal mão de obra para os mais diversos fins eram os escravos negros. Trazidos da África em navios negreiros, essas pessoas carregaram consigo por todo o Atlântico sua cultura e para o Brasil trouxeram-na e fixaram-na por todo o território.

Percebe-se diariamente a contribuição da cultura africana na construção da identidade brasileira. São palavras, como Uberaba, Ituiutaba, acarajé, são as músicas, como o samba e o pagode, são os instrumentos musicais, como o berimbau e o batuque, na religião com os deuses e os orixás. A herança deixada pelos africanos foi imensa.

A capoeira, um estilo de luta dançado, foi criado pelos escravos e foi utilizado como forma de se libertarem da força da escravidão a que eram submetidos nas fazendas. Aqueles que conseguiam, fugiam para os Quilombos dentro das matas brasileiras, que eram comunidades onde os escravos podiam viver livremente, sendo o mais famoso de todos o dos Palmares. Até hoje a capoeira é praticada por diversos brasileiros como esporte.

Deve-se levar em consideração também a contribuição das estruturas e dos monumentos presentes nas cidades. Cada igreja, casa, monumento, fazenda, estrada datada do período colonial e imperial foi erguida com o suor negro. A escravidão no Brasil deixou marcas em qualquer lugar em que hoje se vá, foi graças aos negros retirados a força da África que temos uma riqueza cultural e estrutural.

O ensino obrigatório sobre História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas, o feriado da Consciência Negra, assim como a Lei das Cotas, são formas de valorizar e resgatar o passado de dívidas que temos com os negros por toda a opressão sofrida. Faz-se necessário também o contínuo trabalho em parceria entre a escola, família e o governo para educar as crianças a tratarem as pessoas de qualquer etnia como igual e reeducar os brasileiros a terem tal mentalidade. A ênfase na valorização histórica da cultura negra para atual identidade brasileira deve ser disseminada por todo o Brasil.

Texto escrito pela aluna Stella Monteiro Ali - 2ª série "B". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

"Férias"

É o que todos queremos e com razão. Apesar de todos os momentos bons e de toda a companhia, um ano letivo é desgastante, tanto para professores quanto para alunos.

Quando chega, é recebida com aplausos, uma das Sete Maravilhas do Mundo, uma luz no fim do túnel daqueles que contaram os dias para descansar durante um infinito limitado. É verdade. A juventude de hoje espera mais pelo recesso do que pela aprovação.

Só um estudante atual pode explicar de antemão os sentimentos que envolvem o último minuto do último dia de aula. Na maioria das vezes, a última hora já é um borrão empolgante e matéria nenhuma entra na cabeça das pessoas. A alegria da contagem regressiva contagia até os professores e os gritos saudosos são a melhor parte.

Os amigos se despedem com a promessa de que se verão na semana seguinte, mas só se reencontram no outro ano e na situação inversa, quando começa o primeiro dia de aula. Faz parte. Às vezes passamos tanto tempo com as pessoas que procuramos momentos de solidão. Como diz Cazuza, “Às vezes eu amo e construo castelos, às vezes eu amo tanto que tiro férias e embarco no tour pelo inferno”. Até mesmo as melhores pessoas nos cansam depois de um ano inteiro. E não se iluda: férias podem ser tão enjoativas quanto os meses de estudo.

O primeiro mês é um sonho, uma passagem só de ida para o paraíso, não conseguimos nos ver em meio a livros e cadernos. O pensamento deprime e então pensamos que temos mais um mês. Patético. Quando a metade das férias chega, o resto dela passa mais rápido do que os fogos de artifício do Ano Novo. Mas não nos importamos. Já estamos começando a nos sentir incomodados com a falta do que fazer.

Na última semana, pensamos que temos mais um dia, mais algumas horas, mais alguns minutos de descanso apesar do tédio. Eles são reais, mas simplesmente fogem por entre nossos dedos. Depois de dois meses, a maioria dos estudantes já começou a trocar o dia pela noite e agora precisa se acostumar a acordar cedo novamente. “Mais cinco minutinhos” torna-se linguagem universal e o que antes era diversão depois da meia-noite acaba se voltando contra você como um Titã enfurecido. É simplesmente impossível acordar cedo nas férias e dormir antes das onze é uma ofensa grandiosa.

 Então encaramos o problema de frente e dormimos menos do que o habitual na véspera de reencontro. Marchamos pela calçada até a escola parecendo zumbis e com um mau humor matinal que não víamos desde meados de dezembro. Os pensamentos são os piores possíveis enquanto nos vestimos e não melhoram quando abrimos a janela e nos deparamos com o dia ainda escuro.

Mas talvez seja a empolgação em rever os amigos ou a esperança de não mais ficar entediado, mas algo muito estranho acontece quando a fachada da escola se mostra no horizonte. O dia já está mais claro e dentro do peito você começa a se sentir mais feliz.

Pensamentos ruins são nocauteados pelos bons e se não tem outro jeito, descemos do carro com um sorriso estampado no rosto. Não é tão ruim assim. Os cadernos têm um cheiro novo e viciante, os livros estão limpos e bem cuidados. Apesar de já sentir saudades das férias, você marcha pelos corredores, afinal brasileiro que é brasileiro não desiste nunca.

“E se nada der certo”, você se anima logo, pois “as férias do meio do ano estão logo aí”.  

Texto escrito pela aluna Júlia Barbassa França - 2ª série "B". 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli