quinta-feira, 28 de março de 2013

Feliz Páscoa!


Receita de Páscoa

"No domingo de Páscoa,
Derrame seu olhar sobre todas as coisas boas
Deixe que os olhos vejam a renovação
Percebam a transformação do eu em nós.
Seja a paz no mundo!"
 

                                                                       Por Eliana Prata

"Feliz Páscoa!" é o desejo de toda a Comunidade Educativa CNSD

quarta-feira, 27 de março de 2013

"Despreguiçar"

O sol apareceu, e, por sinal quente, desperdiçando preguiça. E eu aqui tentando me levantar, mas as dores chegaram. Ai! É preciso alongar, esticar os braços, as pernas, o pescoço precisa girar, ahahahah, não somos corujas, né. Mas temos que treinar, disciplinar, despreguiçar o corpo e a alma, senão as dores continuarão.

Fiquei observando, bem cedinho, os animais. Sabia que eles se alongam e muito. O galo estica as pernas e as asas e espera alguns segundos. O cachorro põe as duas patinhas na frente do corpo e estica, estica a coluna e espera também alguns segundos. E assim foi despertando o meu olhar para a rolinha, a lagartixa que chega a colocar a pata sobre a cabeça.

É muito interessante como é a evolução e a conservação da natureza que se refaz a cada chegada da morte. Ela se recompõe tão naturalmente que o velho se vai e o novo brota com força total.

E quão podemos aprender com os animais, aliás, o que aprendemos com eles está na história. A fila, por exemplo, a fila provavelmente veio dos animais e quantos deles fazem filas... O gado faz fila para caminhar, no meio do pasto. Fazem uma trilha, e ainda são disciplinados, caminham nela todos os dias. As formigas também fazem fila e quando tentamos desviar o caminho delas, ficam tontas, desorientadas, perdidas, até reencontrar outro caminho, sofrem, mas não desistem e acabam encontrando no próprio obstáculo um fio que retorna ao mesmo caminho.

Assim também nos refazemos enquanto humanos, é preciso tempo para captar a alma do outro. Antes de tudo, voltemos ao início do texto, é preciso vontade de modificar as nossas ações, sem preguiça, com disciplina. Sei que é difícil porque cansamos, porque estamos trabalhando demais, porque temos compromisso além do horizonte, mas até isso é essencial revermos, será que não estou desperdiçando o meu tempo?

É preciso tempo para alongar de verdade o corpo e a alma.




Por Eliana Prata - Coordenadora do Ensino Fundamental 1 CNSD
[Esta crônica faz parte de um livro que ela está escrevendo]

quarta-feira, 20 de março de 2013

"Um pouquinho só da infância"

Ah! Quando nasci? Nasci no dia do Fico, sabe que data é essa? Não! Não se estuda mais história como antigamente! Ahahahah, ainda bem. É no dia nove de janeiro. D. Pedro I, quando decidiu desobedecer ao governador de Lisboa e permanecer no Brasil, em 1822, disse “Se é para o bem geral da nação, diga ao povo que fico.” E o pior é que ficou para o nosso bem ou não. E estamos aqui colhendo os belos frutos dessa ficada até hoje.

Eu tenho um olho maior que o mundo, por isso fui uma menina peralta. Vi o mundo além do infinito. Busquei o término do mundo além das montanhas, encontrei outras montanhas além das montanhas, descobri que o mundo não tinha fim. Eu era um cisquinho, nada mais que um cisco de gente começando a enxergar o mundo além do horizonte. Já era filosofia. As divagações faziam parte da minha alma.

Por outro lado, comecei a questionar Deus. Se Deus criou o mundo em sete dias, e tudo que nele existe. Quem criou Deus? Fiquei muito encasquetada com tudo isso. E depois cheguei à conclusão que Deus a gente aceita, não questiona, a gente sente na palavra, no aperto de mão, no carinho, na compreensão... Ele existe dentro de cada ser. Transferimos Deus ao outro em todos os momentos. Deus está na natureza, nos animais com os quais aprendemos muito, no rio que corre e sabe onde quer desaguar, no meu coração e no seu coração e no meu olhar e no seu olhar.

Vivi minha infância. Atravessei a cerca do vizinho, junto com minhas primas e irmãs, entrei no pomar para apanhar jabuticabas. O vizinho era um cão farejador.

Um dia atravessamos a cerca e subimos nos pés de jabuticabas. Eram vários pés, todos plantados na mesma época, porque eram do mesmo tamanho. Você sabia que um pé de jabuticada plantado naturalmente leva vinte anos mais ou menos para começar a produzir frutos. E levamos um segundo para matar a árvore.

As meninas, que eram minhas irmãs e primas, foram embora porque já tinham se empanturrado de jabuticabas, como eu era a mais velha, e o olho era maior que o meu estômago, fiquei sobre um dos galhos da jabuticabeira. Meu Deus, pra quê? Lá em cima, bem na pontinha do galho, graças a Deus as jabuticabeiras têm os galhos resistentes, percebia a aproximação lenta daquele velhinho, alto, magro e bravo. Era o senhor Altino, tio do dono das terras. Morria de medo! Ficava como um mico agarradinha no galho sem me mexer. Acho que ele era meio surdo, meio cego e não tinha olfato, porque crianças têm cheiro e ele nada sentia, percebia e ouvia. Quando ia se afastando, que alívio! Eu continuava chupando aquelas doces jabuticabas pretinhas, pretinhas. Que delícia! Hum! Eram sabarás as doces jabuticabas.





Por Eliana Prata - Coordenadora do Ensino Fundamental 1 CNSD
[Este trecho faz parte de um livro que ela está escrevendo]

sábado, 2 de março de 2013