segunda-feira, 16 de abril de 2018

Oficina de Leitura: “A ararinha do bico torto”

A Professora Kátia Cristina conta que as turmas dos 3ºs anos do Ensino Fundamental do Colégio Nossa Senhora das Dores trabalharam com o livro “A ararinha do bico torto” do autor Walcyr Carrasco durante a Oficina de Leitura.

No livro, as crianças conheceram a história de Nina.

Nina é uma ararinha que nasce com o bico torto e é rejeitada por seus pais e seus irmãos. Acaba caindo do ninho, indefesa, porque não consegue se alimentar sozinha. É encontrada por Pedro, fotógrafo de natureza profissional, e seu filho Mário, que lhe dão o nome de Nina. Pai e filho levam a ararinha para casa e cuidam dela, dando comida no seu bico com uma seringa. Com o tempo, ela aprende a se alimentar sozinha. Adulta, Nina é levada para o viveiro de uma escola, onde vira sensação entre os outros pássaros, alunos e professores. Acaba encontrando um companheiro e tem dois filhotes. Quando Mário vai visitá-la e ver os filhotes, fica tão orgulhoso de Nina que não pode deixar de sorrir.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Atividade Montessoriana: Aula de Linha

A “Aula de Linha” é uma atividade montessoriana que valoriza a educação pelos sentidos e pelo movimento para estimular a concentração e as percepções sensório-motoras da criança. 

A "Aula de Linha" tem como finalidade apresentar noções, construir conhecimentos e despertar a consciência da criança, tendo o professor como mediador. Nesta aula, as crianças aprendem sobre diversos temas, como animais, alimentos em geral, números, letras, moradias, atualidades, análise de quadros artísticos, escritores, tarefas do cotidiano, gêneros musicais, instrumentos musicais, entre todas as informações relevantes para a faixa etária com a qual o professor está trabalhando.

O assunto apresentado do dia tem ao centro da Linha algo que o represente.


Fonte: Jardim Montessori

quarta-feira, 28 de março de 2018

"Violência urbana no Brasil: uma chaga social"

Durante o Período Regencial brasileiro, houve a dura e violenta repressão pela Guarda Nacional de movimentos revoltosos que criticaram o governo e eram a favor de uma maior autonomia provincial e menor centralização do poder nas mãos do Estado. A partir desse contexto, entra em pauta a problemática da violência que persiste até os dias atuais no Brasil. É uma chaga social que infringe o direito humano à liberdade e tem como principais barreiras à sua superação a ineficiência das políticas públicas e a cultura violenta internalizada historicamente no povo.

É inquestionável que a legislação brasileira não é consistente o suficiente para que diminuam-se as ocorrências desse problema. De acordo com o Papa João Paulo II, “a violência destrói aquilo que pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano.” Com isso, a Constituição não aplica punições severas o suficiente em resposta a um ato que desrespeita o espaço do outro e a liberdade individual inerente a todos os cidadãos, abrindo espaço para que cada vez mais práticas violentas continuem acontecendo.

Ademais, o país ainda conta com uma cultura agressiva que possui raízes históricas. A ascensão das primeiras práticas coronelistas no século XIX trouxe consigo a truculência usada pelos coronéis para administrar e manter a ordem das suas províncias, aos quais eram concedidas armas para a realização de tal controle. Logo, essa prática serve como um exemplo que influenciou na criação de uma moral que utiliza a violência como resposta e solução a tudo e que se tornou parte do senso comum brasileiro.

Dessa forma, para que a superação da problemática se dê de maneira efetiva, é necessária a intervenção do Estado, de ONGs e da escola. Por intermédio do Ministério da Justiça, o Governo deveria agir reforçando a legislação com a intensificação das penas, realizando o seu cumprimento, uma vez que muitos casos não chegam nem a serem julgados. Já o papel das escolas e das ONGs é o de conscientizar a população e instruí-la para uma convivência social harmoniosa por meio de campanhas, aulas e palestras que desconstruam a moral violenta, a fim de valorizar a liberdade do homem defendida por João Paulo II.



Aluna: Júlia Alves de Souza Moreira

2ª série "A"

Profª Drª Priscila Toneli

terça-feira, 27 de março de 2018

Oração dedicada à Nossa Senhora das Dores

Oração à Mãe Aparecida das Dores

No alvorecer da esperança,
Teu amor nos ilumina de paz
e nos traz a estação da fé,
que nos devolve o sorriso
roubado pelas dores
de tantas outras dores.

Querida Mãe Aparecida,
caminha conosco pelos vales da tristeza
e nos conduz às planícies da serenidade.
Derrama sobre o jardim de nosso coração
o orvalho da misericórdia,
para que floresçam
as sementes do amor
em nossos gestos e palavras.

Volvei seu terno olhar
para nossos passos já cansados,
e que, por vezes, são guiados
por caminhos duvidosos e perigosos.

Mãe Amada,
somos teus filhos e filhas,
que sozinhos não sabemos
para onde ir.

Sem Teu amor, perdemo-nos
em nossa orfandade espiritual.
Senhora de todos os povos,
raças e nações,
a Ti confiamos nossa gente
e nossas famílias,
a todos confortai com Tua poderosa intercessão,
para que, seguindo Teu santo exemplo,
testemunhemos a vida
que sempre floresce
em pequenos gestos de amor.

Amém!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Madre Anastasie, a MULHER FORTE DO SEU TEMPO

Madre Anastasie a Mulher de fortes qualidades morais e cristãs. Herança adquirida dos seus pais, cristãos admiráveis de caráter generoso que souberam buscar na fé, a força para enfrentar duras e longas provações.

Desde pequena, mostrou-se uma alma contemplativa, um grande gosto pela solidão, pela oração. De uma delicada atenção para com todos. Uma das maiores características sua: Prudência, simplicidade e bondade, oração.

MULHER PRUDENTE: Jamais foi vista agindo com precipitação. Antes de tomar uma decisão, refletia, pedia a opinião de suas irmãs e de outros. Madre Anastasie sabia aliar prudência e Bondade. Ela acolhia a todos com igual bondade.

Se ela era prudente, era sobretudo muito boa.

Quando preciso sabia usar de firmeza, mas sempre aliada à ternura, à bondade.

Alegria – Costumava dizer às suas irmãs:sejam corajosas! Sejam alegres. Riam, riam muito. E Ela tinha uma frase que a caracterizava: “É preciso que sejamos aleluia da cabeça aos pés.”

MADRE ANASTASIE; Mulher do seu tempo: Corajosa, sábia, mergulhada na realidade que a circundava: enfrentou desafios, apontou saídas, lutou muito para realizar seu ideal: Fundar uma Congregação que acolhesse crianças e jovens para ensinar-lhes o caminho do saber e da fé. Cuidou dos pobres, dos doentes, dos idosos. No fim de sua vida pode dizer como o Apóstolo Paulo: “Realizei a missão a mim confiada... conduzi a obra à sua perfeição”.

E vocês, mulheres de hoje? Quantos desafios enfrentam? No lar, no trabalho, na sociedade?

Quantas virtudes as caracterizam? - Bondade; ternura, alegria, paz, sabedoria.

Quais as forças que as sustentam na luta do dia a dia? A Fé, a Oração, o Amor.

Vocês são guerreiras, sim. Vocês são corajosas, sim.

Vocês são Mães, unem a família, cerca-a de carinho e proteção!

HOJE É DIA DE HOMENAGEÁ-LAS, COM CARINHO, COM GRATIDÃO, DE DIZER-LHES QUE SÃO LUZES QUE ILUMINAM VIDAS; BRAÇOS QUE TRANSMITEM SEGURANÇA; PALAVRAS QUE CONFORTAM E ACONSELHAM.

Que Deus as proteja e as abençõe!

Nossa Senhora das Dores, nossa Mãe e Mestra. Olha para nós mulheres, com teu olhar de Mãe Acolhedora, com teu coração terno e bondoso. Sustenta-nos com tua força e dá-nos fé e coragem para enfrentarmos o dia a dia de nossas vidas.




Texto escrito pela Irmã Maria Helena Salazar para leitura durante a celebração do Projeto Intercomunitário das Irmãs Dominicanas “Varrendo a Invisibilidade” no Colégio Nossa Senhora das Dores.

"O voto facultativo no Brasil deve ser liberado?"

Desde 1824, como previsto na Constituição outorgada nesta data, o voto tornou-se obrigatório no Brasil e essa obrigatoriedade permanece até a Constituição atual, que afirma que o voto é facultativo para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e idosos maiores de 70 anos. Em contraposição, atualmente, grande parte da sociedade brasileira posiciona-se contra o voto obrigatório, já que a população que possui formação política precária acaba por não pensar corretamente antes de fazer suas escolhas nas eleições.

Durante a Primeira República brasileira, existia o voto de cabresto, o qual havia fraudes nas eleições e os coronéis de grande influência controlavam os votos de seus funcionários e da população local, mantendo apenas determinadas oligarquias no poder. Da mesma maneira, nos dias atuais, muitos partidos políticos seduzem e ludibriam com promessas uma parcela alienada da população que não possui senso crítico necessário para ter consciência de escolher os governantes corretos.

Além disso, atualmente, o Brasil é uma democracia, assim como a que surgiu no governo de Sólon em Atenas. Essa forma de governo garante à população a liberdade humana. Desta forma, devido à liberdade garantida pela democracia brasileira semelhante à ateniense, os cidadãos devem ter o direito de escolher se desejam ou não votar, garantindo então a existência de eleitores conscientes que, através dos representantes escolhidos, promoverão o desenvolvimento do Brasil.

Sendo assim, é necessário que o governo institua na escola o ensino sobre política através de disciplinas tais como História, Filosofia e Sociologia, mostrando-lhes, ao longo da história, os casos de fraudes no sistema eleitoral e ajudando-lhes a perceber a importância do voto, para que a população tenha formação educacional e escolha bons representantes, garantindo o desenvolvimento brasileiro, pois segundo Teodore Roosevelt, “um voto é como um rifle: sua utilidade depende do caráter de quem usa”.



Aluna: Geovana de Paula Pereira

2ª série - Ensino Médio

Profª Drª Priscila Toneli

quarta-feira, 21 de março de 2018

Oficina de Leitura: Produção de Poesias

"Arabela abria a janela,
E a Flor Amarela se abria!
Carolina erguia a cortina
e a Flora Amarela se abria
e dizia: "Bom dia"!
A Flor Amarela era 
a flor mais bela."
Luiza Bento - 4º ano "B"


"Meu Sonho multicoisas
Meu lindo sonho
Pode ser uma bailarina
Queria ter um gato risonh
São alguns sonhos de menina

Passar no tapete vermelho
Continuar tendo amigas
E me olhar no espelho
E que no mundo não haja brigas."


"Meu doce jardim
O meu jardim tem flores
O meu jardim tem cores
O meu jardim tem um cupinzeiro
E também tem um formigueiro

O caracol brilha como sol
O passarinho é belo como seu ninho
A borboleta é grande e magra como uma vareta
Já a minhoca é comprida e dorminhoca."
João Pedro Alves


"Na casa da Florzinha Biscoito
Na casa da Florzinha Biscoito
Lá é onde
Você fica afoito!

Quando o sol tá de rachar 
Você vai brincar
Na piscina de nadar.

Quando chove em tudo
Ela acha um rato miúdo
E logo sai chorando
Pela mordida, o rato Nando.

Por isso, com Florzinha Biscoito
Com ela 
Você fica afoito.

Dizem que na casa dela
Só tem mesmo um pé de bambu
E também um cacto
Com o galho quase morto."
Fauly O. Martins da Silveira - 5º ano "A"


"Aquarela
Pus meu sonho num pote de tinta
Mas com um pouco de água virá aquarela
E meu sonho vou pintando
Uma vida linda e amarela

Entre as ondas do mar vou nadando
As águas azuis entrelaçando
Com tubarões eu luto
Mas sem perder o luxo

Agora minha imaginação quer flutuar
E entre as nuvens passar
Então sigo meu destino
Pra no céu não reclamar

Pousei no arco-íris
Para meu sonho germinar
Quero logo passear, pois ele está seguro
E todo dia vou voltar.
Não pare de sonhar!"
Ana Cecília


"Amigas(os)
Amigo(a)
É algo inexplicável
É algo que a gente ama

Amiga(o)
É aquela pessoa
Que a gente guarda no coração

Amigas são sabedoria
Pois elas te ensinam
As leis da amizade

Amigo é como o sol
Que se não aparece
Seu dia não amanhece."
Yasmim Diniz

quinta-feira, 15 de março de 2018

"Vós sois todos Irmãos"

Riqueza de gritos,
Miséria de amor,
Infinitude de prantos,
Presença de dor...

Afinal, até quando estatísticas criarão verdades convenientes?
Até quando romantizar a guerra será fonte de alienação?
Eu cansei dessas mentiras convincentes,
Na verdade, nos fartamos de tamanha desolação.

Já faz tempo que os tiros me tiram a calma,
As lágrimas têm mutilado a alma,
Enquanto isso, discursos bonitos enganam outros mais,
E os acordos políticos só simulam a paz.

Podemos matar sem sermos julgados,
Violentar sem sermos castigados,
Agredir sem sofrer nenhum retalhamento,
Afinal, a justiça atual não realiza impedimento.

Somente espero que a desigualdade encontre o perdão,
Torço para que o medo se cesse na união,
Espero que as feridas se findem no aperto de mãos,
Porque "Vós sois todos Irmãos".



Texto escrito pela aluna Ana Luiza Carrilho de O. Resende (2ª série - Ensino Médio) para apresentação no 1º Aulão Interdisciplinar com o tema “Violência: fraternidade e superação da violência”.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Irmã Terezinha Prado, educadora missionária

Celebrar a vida é dom, graça e louvor. Para muitos, momentos de festa, de olhar o passado e agradecer. Para outros, sinais de esperança, vislumbrar o futuro. Propor novas aventuras com os pés fincados na realidade atual. Assim, vejo a nossa querida Ir. Terezinha Prado de Azevedo, digo nossa, porque foi durante anos, Orientadora Educacional no CNSD, na década de 70. Quem não se lembra dos encontros na Capela, os diálogos em particular, para orientar a opção vocacional ou mesmo quando as notas não estavam de acordo com o potencial das “meninas”? Com atitudes de acolhimento sinalizava o caminho a seguir. Sua trajetória como religiosa dominicana consagrada à missão é sinal de comprometimento.

Com simplicidade, sempre disponível a servir o outro, com entrega sem reservas, colaborando na construção de uma sociedade mais humana e sustentável. Desde os anos 80, atua nas Comunidades Eclesiais de Base testemunhando a fé e a resiliência que se fazem com a participação democrática e o anúncio do Evangelho que liberta. Como dominicana faz valer o Veritas (Verdade) presente no cotidiano do Centro de Educação Infantil Marta Carneiro – CEIMC- idealizado por ela e Ir. Anita, amigas inseparáveis. Ambas marcaram e marcam presença em diferentes pastorais e movimentos sociais na Paróquia de São José, desde sua fundação com o Padre Eddie Bernardes.

Atualmente, o CEIMC é referência entre as instituições públicas de Educação Infantil pelos investimentos, apoio e presença das Irmãs Dominicanas da Província de Monteils que acreditam na educação libertadora. No dia 2 de fevereiro deste ano, Ir. Terezinha celebrou 70 anos de consagração à Vida Religiosa. Sempre atuante, com humildade e garra, na Paróquia e no CEIMC nos revela uma vitalidade que nos impressiona.

A equipe do CEIMC manifestou neste dia, o reconhecimento e respeito que as comunidades escolar e paroquial sentem por esta educadora missionária dominicana: “[...] Damos graças pela sua escolha, graças pelas teimosias, resistências, perseverança, confiança, medos, desafios, pelo SIM e o NÃO diários, que ajudaram a trilhar os caminhos do Projeto do Reino e nos conceder a graça de podermos estar aqui hoje comemorando e agradecendo este “Pedacinho do Céu” que foi construído com todo esforço e dedicação em prol do acolhimento às nossas crianças.

Irmã Terezinha, exemplo de mulher guerreira e concretizadora de sonhos. A senhora plantou a sementinha e hoje que lindo estes frutos! Plantio sólido e que até hoje nos traz tantas alegrias”. Parabéns, Ir. Terezinha Prado, testemunho vivo de amor ao próximo!!!


Por Maria de Lourdes Leal dos Santos
Fonte: Jornal da Manhã

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Discurso aos Colegas

Nós nascemos na era do “ser”. Nós devemos “ser” algo ou o mundo vai desmoronar ao nosso redor. Devemos decidir nosso futuro sem nem entender o nosso presente, mas nem sabemos o porquê. Nós nascemos em um mundo em que esperam que sejamos muito. Muito estudiosos e muito felizes, muito focados e muito espontâneos, muito apaixonados e muito realistas, muito fortes, mas muito sensíveis. Mas a verdade é que você vai sorrir e chorar. Sentir como se o mundo estivesse todo errado e todo certo. Vai se desesperar porque toda nova etapa parece um fim e nunca um começo, mas logo o outro dia chega e você percebe que ainda há novas histórias, novos momentos. E então, você terá medo e será ousado. E mesmo assim não será o fim.

Pelo menos é o que eu gosto de pensar.

Porque se há alguma certeza, aqui entre nós, é que não há certeza alguma, e está tudo bem. Está tudo bem se alguns aqui pretendem salvar o mundo em cinco anos, mas outros não sabem nem o que estão prestes a jantar. Tudo bem. Nós temos 18, não 81. A gente se encontra, se descobre aos poucos. E como minha mãe gosta de me lembrar sempre, “Cada um tem seu tempo. E, às vezes, este tempo é mais longo.”

Por isso, cada um tem seu próprio tempo de viver como se a juventude durasse apenas um dia. Cada um tem seu próprio tempo de se apaixonar e de fazer aquelas péssimas escolhas. Cada um tem seu tempo para entrar em total desespero porque o futuro está logo aí, batendo em nossa porta, nos implorando para abrir e sair para o mundo, sem olhar para trás. Cada tem seu tempo de ter medo. E cada um tem seu próprio tempo para ser gente grande. Seu próprio tempo de fazer escolhas. E essas escolhas nunca serão iguais, e é exatamente esse fato o que torna nós, humanos, seres de extrema complexidade.

Complexos porque sentimos a necessidade de sermos tudo: ousados e cautelosos, nerds e populares, médicos e desenhistas, advogados e cantores, escritores e heróis. Nós queremos ser tudo. Queremos ser a calmaria, mas também queremos ser a tempestade. Queremos ser a guerra e a paz. Queremos tudo. Até que chega o momento em que nos dizem que não podemos e que devemos decidir o que faremos com nossas vidas por um período de tempo que talvez pareça longo demais.

Bem, eu acredito que eu tenha um conselho para esse dilema: não tenha pressa. Talvez seja um pouco tarde para dizer isso, mas é o que espero que todos aqui tenham em mente. Vocês não precisam segurar o mundo nas mãos de uma só vez. Conquiste-o aos poucos. Sinta-o. Absorva-o. Respire fundo, e quando achar que seu tempo chegou, decida. E não se sinta na obrigação de ser apenas uma coisa. Você pode salvar vidas sendo um engenheiro, pode ensinar sendo um médico, pode ser poeta sendo um advogado, pode ser jogador sendo dentista, pode viajar o mundo sendo tatuadora, e pode ser feliz, mesmo que não tenha escolhido aquilo que todo mundo esperava. Vocês podem tudo, caso tenham a coragem de simplesmente tentar.

E não sejam algo que não queiram ser, só porque lhe disseram que não havia mais tempo. E se, por ventura, tenham feito a escolha errada, não tenham medo de começar tudo de novo. Talvez, no final das contas, é isso que precisamos ser, mais que qualquer outra coisa: corajosos. É necessário ter coragem para se deixar ir, fora de todas as nossas bolhas protetoras, ao encontro do mundo real. Coragem para começar de novo, mesmo quando o velho é bastante confortável.

E não há nada mais confortável do que continuar com as mesmas pessoas com quem crescemos. Mesmo que haja dias que parecemos insuportáveis, quando não queremos mais ficar ao lado um do outro. Ainda assim é confortável, porque não é novo, e já virou rotina.

Nós fomos rotina um para os outros. Alguns por quase catorze anos, outros por bem menos. Foram a certeza de conforto para muitos aqui a cada ano que passava. E eu imagino que essa sensação de conforto em voltar para escola com o bom e velho conhecido, não tenha sido algo que só eu senti. Afinal, passamos mais tempo juntos do que com nossa própria família, e no final nos tornamos a família que cada um precisou em algum momento.

Por isso, quando escrevi esse texto estava morrendo de medo que não conseguiria fazer algo especial para todo mundo. Mas depois de vários rascunhos decidi falar o que eu acho que, no fundo, todo mundo precisa ouvir: Não tenham medo de serem extraordinários. E não aceitem ser nada menos do que isso. Sejam sempre o seu melhor. Sejam sempre sua própria âncora. E estejam sempre cientes de toda a capacidade que guardamos dentro de cada um de nós. E não desistam de seus sonhos, porque no fim, são eles que tornam a vida um pouco mais empolgante e com um pouco mais de sentido.

Para terminar, gostaria de ler algo. Um texto que apareceu em alguma de nossas aulas, alguns anos atrás. O autor é Paulo Mendes Campos e faz referência à “Alice no país das Maravilhas”:

“Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior isso acontece muitas vezes por ano.

‘Quem sou eu no mundo?’

Essa indignação perplexa é lugar comum de cada história da gente.

Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão estranhada em ti mesma como teus ossos, mais forte ficarás.

E é bobice disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres que ir a algum lugar, não te preocupes com a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar.

Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste.”

No fim, nós somos como livros, mas não fomos concluídos ainda. Escrevemo-nos todo dia, a cada passo novo que decidimos dar. A cada momento que aceitamos viver. Aceitem ser extraordinários e o sejam. Aceitem ir além do que pensavam que fôssemos capazes. E sejam extraordinariamente felizes.



Texto escrito pela aluna da 3ª série do Ensino Médio - Luiza Aparecida Ranuzzi - para leitura na Cerimônia de Entrega de Certificados de Conclusão de Ensino Médio CNSD.