segunda-feira, 9 de outubro de 2017

"Educação brasileira: um sistema em colapso"

Diferentemente do que ocorreu no Período Militar, quando o governo investia maciçamente na área educacional, ocorre, na atualidade, um descaso governamental perante o ensino da população. Esse descaso ocorre devido à ausência de um Estado forte e à menoridade intelectual dos brasileiros que não reivindicam por uma educação de qualidade. Tais situações acabaram por acarretar no caos que se encontra a educação atual.

Dessa forma, a ausência do Estado forte idealizado por Hobbes, no qual por meio de um controle estatal rígido há a garantia de paz e de ordem social, influenciou na péssima administração da educação nacional, uma vez que o Estado não promoveu fiscalização nem provas que comprovassem a qualidade do ensino transmitido aos alunos. Além da falta de fiscalizações, há a falta de investimentos na área, o que acarreta em uma infraestrutura de baixa qualidade e um ensino precário.

Juntamente ao Estado fraco, há, na sociedade brasileira, o estado de menoridade teorizado por Kant, o qual significa a falta de senso crítico do indivíduo perante um conhecimento. Logo a ausência de criticidade impossibilita que ele crie um entendimento próprio e individual sobre o assunto. Essa menoridade intelectual permite a alienação da população perante os interesses de uma classe dominante, uma vez que os indivíduos desprovidos de senso crítico adotam esses ideais como sua ideologia, o que promove a criação de um obstáculo para as reivindicações. Isso ocorre pois o cidadão acredita que “seus” ideais estão sendo preservados, o que impede que ele se revolte. Essa situação é presenciada na área educacional, uma vez que os brasileiros pagam uma das maiores cargas tributárias e não as veem sendo revertidas em investimentos. Em contrapartida, não se presencia frequentemente reações de protestos sobre o assunto, o que comprova a alienação social.

Tendo em vista isso, é possível perceber a necessidade de investimento na área educacional e sua consequente fiscalização. Isso pode ser efetivado pelo apoio governamental juntamente com o Ministério da Educação por meio de investimentos na melhoria da infraestrutura das escolas e na melhoria da qualificação dos profissionais da educação. Faz-se também necessária a implantação da educação politizadora de Paulo Freire, a qual visa a formação de um senso crítico pelo indivíduo. Isso pode-se efetivar com o apoio do Ministério da Educação juntamente com a sociedade por meio da implantação de matérias como empreendedorismo e ética no currículo escolar obrigatório, visando quebrar os obstáculos das reivindicações. Dessa forma, essas medidas, em conjunto, podem possibilitar melhorias no sistema educacional brasileiro.



Aluna: Ana Letícia Borges

3ª série - Ensino Médio

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Reconto em rimas: "Lenda do Guaraná"

Há muito tempo
Em uma tribo distante
Nasceu um indiozinho
Com uma beleza brilhante.

Jurupari, deus do mal
Invejou o indiozinho
Com o bote mortal.

A notícia se espalhou
E a tribo assustou
Com a morte do pequeno índio
Tupã se espantou e com força trovejou.

A mãe que chorava desesperadamente
Encontrou consolo na mensagem de Tupã
Plantou os olhos do indiozinho
para a tribo ter felicidade amanhã.



Texto produzido pela aluna Maria Clara Vieira Bessa - 3º ano Ensino Fundamental Anos Inicias durante a atividade extraclasse - Produção de Texto - com a Professora Lidiane Miranda.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

"O tudo e o nada"

Era um fim de tarde ensolarado em que eu seguia a caminho de uma viagem de negócios. Sentia inúmeras espécies de borboletas brincarem no meu estômago. Maldita ansiedade. Podia explicar aquilo apenas por estar à caminho de algo extremamente importante, quase tudo para mim, algo que mudaria minha vida e bem mais do que eu imaginava.

O tempo foi passando e eu, sozinha naquele carro, ouvia músicas no rádio e tentava me manter acordada, sabia que não podia parar para descansar, pois assim chegaria atrasada. Duas horas depois, eu comecei a sentir minhas pálpebras pesarem, já não podia contê-las e cada piscada se tornava um momento maravilhoso de alívio do sono.

De repente aquele alívio se tornou longo demais. Abri os olhos assustada e percebi uma luz muito forte se aproximando cada vez mais. Foi então que eu ouvi o estrondo, não houve o que fazer. Senti o cinto de segurança desprender e uma dor horrível ao bater no vidro e voar para fora do carro. Cai com muita força no chão e, enquanto passava um filme de memórias na minha cabeça, pude ver um carro se aproximando.

Não consegui me mover e o veículo passou por mim como uma pedra qualquer. Rolei pela estrada, caindo em uma ribanceira e sentindo a maior dor que já tinha sentido até então. Olhei ao redor e só havia mato. Olhei o meu corpo e percebi que agora eu só possuía uma perna. Chorei como uma criança desesperada, enquanto via a poça de sangue que se formava ao meu lado e perdia todas as minhas forças.

Acordei. Senti-me mais leve, meu corpo parecia estar iluminado e eu tinha duas pernas novamente. Comecei a andar e me recordei de tudo o que havia ocorrido. Foi então que conclui: eu estava morta. Não houve reação, saí correndo aos prantos e suspeitei estar em um cemitério. Alguns passos depois e encontro minha família e amigos em volta de um caixão. Quase todos choravam lágrimas de tristeza e de saudade. Um velório triste e comovente.

Sentia-me leve, arrependida e principalmente vazia. Sabia que ninguém me via ou ouvia. Comecei a me lembrar de toda minha vida e me arrepender de incontáveis fatos. Talvez ainda nem tivesse aproveitado o suficiente; agora seria impossível. Observei meu caixão ser colocado na cova; na lápide estava meu nome e uma bela foto. Depois vi todos seguirem seu rumo. Então, sentei em meu túmulo e foi aí que percebi: agora eu era pó. Em uma piscada de olhos, passei de “tudo” ao “nada”! E assim foi o meu fim.

Nota: Este relato é produzido a partir da perspectiva de um narrador que é defunto-autor. 




Aluna: Silvia Rosa Prieto Urzêdo 

1ª série "A" - Ensino Médio 

Profª Drª Priscila Toneli

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

"Felicidade"

A ciência por muito tempo não enxergou a felicidade. Só em 1998, Martin Seligman, pesquisador da Universidade da Pensilvânia, especialista em depressão, deu uma palestra e pediu que os cientistas começassem a se preocupar com as qualidades humanas e não com os defeitos. Então surgiu a psicologia positiva que descobriu que a felicidade está sob nosso controle e que não precisamos ficar inertes, esperando ela dar as caras. Descobriram o que você pode fazer para ser mais feliz e não é pouca coisa.

O primeiro passo para conhecer a ciência da felicidade está em entender como o nosso cérebro registra o tempo. Para eles, o presente não existe. Dura poucos segundos antes de se tornar uma memória armazenada na nossa cabeça. Esse fato é o maior obstáculo para a felicidade. Para que sintamos felizes no presente, algo de bom teria de acontecer conosco o tempo todo.

Não dá para ser feliz o tempo todo. O segredo está em armazenar e criar memórias felizes, que poderão ser revisitadas para sempre. O criador dessa teoria é Daniel Kahneman, psicólogo obcecado em entender como o nosso cérebro funciona. Segundo ele, o presente não dura mais que três segundos. Vivemos entre o eu do presente e o eu do passado e somos feitos essencialmente de memórias. Para ser mais feliz, então, é preciso mexer no passado.

Para o psicólogo, os dois eus não costumam concordar. O eu presente é péssimo em influenciar a nossa felicidade, que foi determinada pelos acontecimentos mais recentes.

O que a neurociência coletou para aumentar a felicidade?

Como hackear o passado – mexa no presente para deixar o passado do futuro mais feliz.

1- Multiplique as boas lembranças – viaje para dois lugares diferentes.
2- Gaste seu dinheiro com experiência, não com objetos – gastar dinheiro com coisas que ficam na memória, que gerem sensações: as experiências. Invista num show de que você goste.
3- Não se preocupe com os momentos ruins da vida – seu cérebro vai transformá-los em algo bom – quando falamos sobre os pontos baixos da vida, nossa percepção sobre eles muda. O acontecimento ruim pode virar anedota ou numa experiência de formação de caráter no futuro.
4- Mude a rotina – agite o dia. É a maneira simples de hackear a memória.
5- Deixe o melhor para o final – deixe as atividades prazerosas para o final do dia.

O poder do foco – meditação é um bálsamo para a mente. Diminui a ansiedade, o estresse, a dor e a depressão.
1 – Coloque-se numa posição confortável;
2 – Marque o tempo no celular;
3 – Feche os olhos;
4- Concentre-se nos movimentos da sua respiração, observando a entrada e saída do ar;
5 – Um mantra pode ajudar;
6 – Observe os pensamentos que vêm e vão, sem se engajar neles. O essencial é não deixar o cérebro escapar para pensamentos aleatórios;
7. Coma meditando;
8. Ande meditando – foque para não dar espaço à ansiedade ou sofrimentos.

O estado de graça (flow – fluxo) – mais prazer – passar tempo com os amigos íntimos; socializar depois do trabalho; relaxar; almoçar; jantar.

Somos capazes de botar o nosso cérebro em um estado mental prazeroso quando quisermos. O flow exige imersão e concentração, usar o cérebro no limite. Quando conseguimos, o mundo ao redor desaparece, o tempo começa a voar. Há a sensação de felicidade. Artistas e atletas são especialistas em alcançar esse estado. Quem corre está nos limites da concentração, coordenação e autocontrole. Escrever, compor, pintar e dançar exige criatividade, memória e imaginação. Cozinhar, fazer tricô, montar trens em miniaturas, aprender mandarim. Se seu trabalho não proporciona esse estado, você deve procurar algo que o faça. Muita habilidade e muito desafio é disso que o flow é feito.

Um antídoto para a tristeza – O que determina a felicidade é a velocidade com que os acontecimentos ruins serão superados. É conseguir se recuperar da adversidade mais rápido. Se as condições ideais não estão ao alcance, nosso cérebro se prepara para se contentar com a segunda melhor opção disponível. Mulheres idosas solteiras chegam à velhice com mais amizades significativas. As defesas da felicidade podem ser turbinadas com práticas diárias. O otimismo é a chave da imunidade, ter uma visão otimista sempre ajuda. Não existiria som, se não houvesse o silêncio. Não existe prazer sem dor. Só é feliz quem conheceu a tristeza.

Gratidão – surgiu em 2015 nas redes sociais, viralizou a não realidade. Gratidão é fonte real de felicidade. Detector de coisas boas, quando agradecemos pelo bom da vida, ficamos mais conscientes. Pessoas gratas apreciam mais as coisas simples da vida. O be-a-bá da gratidão – dedique cinco minutos para agradecer alguém que te ajudou. Anote três coisas boas que aconteceram no dia.

Nada – nada mesmo – é mais importante do que as pessoas – cerque-se de pessoas, primeiro da família e depois de amigos. Aprendemos a cuidar uns dos outros, a trabalhar em grupo.

Felicidade - o tempo todo é insustentável, tanto a alegria extrema com a tristeza profunda. Viver em êxtase, atrás da felicidade delirante é perigoso. Foque na calma e no contentamento. Viver em paz é o arroz com feijão que nos mantém vivos.

Felicidade é amor. Ponto final.

Artigo publicado na Revista Superinteressante (mês setembro/17) e resumido pela Coordenadora Pedagógica Eliana Prata.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

"Século XXI e o combate às discriminações"

Bulling. Racismo. Xenofobia. Todas essas discriminações afetam diversas pessoas no mundo contemporâneo e estão presentes há anos. Na história do Brasil, negros, índios e imigrantes foram vítimas de agressões e preconceitos, ora no período colonial, ora na fase republicana. Sendo assim, o convívio com as diversidades étnicas, sexuais e quaisquer outros estereótipos ainda são um impasse que a sociedade brasileira enfrenta. No entanto, é possível mudar esse cenário com a criação de campanhas que busquem aproximar as pessoas, disseminando o amor e o respeito ao próximo.

É indubitável que tais discriminações afetam o desenvolvimento nacional. De acordo com o físico Einstein, “No mundo atual, é mais fácil destruir um átomo do que acabar com o preconceito”. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se a dificuldade de resolver a problemática dos preconceitos, tanto racial, quanto sexual, entre outros, visto que cada dia mais ouvem-se notícias de violência contra aqueles que são considerados “diferentes”. Entretanto, é possível solucionar isso com ideias baseadas na ética e na solidariedade.

Percebe-se também que tais problemas são oriundos de uma sociedade que forma cidadãos preconceituosos. Conforme afirma Rousseau, “O ser humano por si só é bom, porém a sociedade o corrompe”. Observa-se, assim, que o meio em que uma pessoa é criada irá interferir em suas atitudes futuras, caso sejam preconceituosas ou não. Nota-se, dessa forma, a importância de se difundir valores que visam o amor e o respeito entre os indivíduos.

Entende-se, portanto, que é possível atenuar a problemática com algumas medidas. Uma delas é a promoção de campanhas solidárias que visem a aproximação das pessoas por meio de caminhadas e eventos comunitários. Outra medida é, por meio da parceria entre as famílias e as escolas, a realização de aulas sobre as diversidades presentes no país a fim de educar os alunos para que não sejam racistas, homofóbicos ou xenofóbicos. Tais ações devem ser feitas pelo Estado juntamente com ONG’s, escolas, famílias e instituições religiosas para que se alcance uma sociedade justa e igualitária.



Aluno: Augusto Souza Campos Durant

2ª série "B" - Ensino Médio

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

"O dilema da doação de órgãos no Brasil"

A doação de órgãos é uma forma indiscutivelmente digna de ajudar a sociedade em que se está inserido. Aqueles diagnosticados com morte encefálica, por exemplo, são potenciais doadores, porém, no Brasil, o destino de seus órgãos não depende apenas do doador, mas também de sua família, que legalmente decidirá se haverá a doação ou não. O problema é que, ainda hoje, quase metade das famílias brasileiras ainda rejeita a doação de órgãos de um parente, realidade que precisa ser modificada a partir de uma mudança cultural na visão da sociedade sobre o assunto de nosso país.

Nos séculos iniciais da colonização brasileira, principalmente após 1600, o Brasil dominado pelos portugueses também passou a ser dominado ideologicamente pela instituição predominante na Europa: a Igreja Católica. Os jesuítas vieram ao chamado novo mundo para catequizar os indígenas, e um dos dogmas incorporados na raiz cultural de nosso país foi a ressurreição, ou seja, a crença de que ressuscitamos após a morte no mesmo corpo. Portanto, até os dias atuais, inconscientemente, somos influenciados por tal ideologia, um fator cultural que implica uma suposta necessidade de conservar o corpo dos falecidos, o que é feito ainda por muitas famílias.

Dessa forma, é indubitável a necessidade de uma mudança cultural para que as famílias como um todo aceitem o processo de doação de órgãos dos parentes. Segundo o pensador Emanuel Kant, somos o que nossa educação faz de nós do ponto de vista sociológico. Tendo isso em vista, é claro o papel da educação na formação do indivíduo não só como profissional, mas como ser humano e, consequentemente, na formação de seus ideais, ainda mais em relação a essa questão da doação de órgãos.

Ainda levando em consideração o papel da educação com relação à formação individual, pode-se afirmar que a educação brasileira falha ao não ensinar os benefícios desse tipo de ato aos futuros doadores ou familiares de um doador em potencial. Isso dificulta o aumento na taxa de famílias que aprovariam as doações e é ainda a principal barreira na doação de órgãos no Brasil, já que a doação somente pode ser autorizada pela família daquele que poderia doar.

Em síntese, dada a necessidade da aprovação familiar e o caráter cultural dos empecilhos para a doação de órgãos no Brasil, são urgentes medidas governamentais para o combate. É dever do Ministério da Educação implementar no currículo escolar obrigatório noções acerca da doação de órgãos e seus benefícios: salvar vidas ou melhorá-las sem prejudicar a ninguém. Essa implementação, a longo prazo, formará indivíduos capazes de compreender a relevância da questão que, sendo futuros doadores ou parentes de doadores, farão a diferença. E, assim, estaremos educando uma nova geração de mentes pensantes que superará as barreiras com relação à cultura e que se tornarão futuros salvadores de vidas.



Aluna: Anaclara da Silva Reis

Turma: 3ª série - Ensino Médio

Profa. Dra. Priscila Toneli

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Produção textual dos alunos do Ensino Médio CNSD

Textos acima da média produzidos para o vestibular da UFU 2016

Texto 1: Carta argumentativa

Uberlândia, 3 de junho de 2017

Senhor Ministro da Saúde,

Sou uma cidadã preocupada, filha de médicos, e acompanho o desenvolvimento da medicina brasileira desde meu nascimento. Atualmente, com o crescente estímulo capitalista o qual o Brasil incorporou, cresce também o interesse econômico por trás de um fato que me trouxe a escrever ao senhor esta carta, a grande medicalização de aspectos antes considerados normais, problema que acarreta o consumismo de fármacos por parte da população, a qual precisa ser mais protegida pelo Ministério da Saúde, Ministério o qual é representado por Vossa Senhoria.

Cada vez mais, surgem novas doenças decorrentes de pesquisas que se tornaram possíveis com o desenvolvimento da medicina no país. Por outro lado, é imprescindível que haja a formulação de remédios para curar essas novas patologias, como foi o caso do coquetel destinado a portadores da AIDS, o qual tornou o Brasil pioneiro em sua distribuição gratuita e permitiu significativa melhora na vida dos portadores, os quais eram discriminados pela sociedade graças à manifestação macroscópica de sua imunodeficiência. Entretanto, o mercado farmacêutico, sendo beneficiado com o aumento de doenças a serem tratadas, aproveita-se do cenário atual de uma medicina mais avançada, alienando o povo brasileiro, o qual se vê cada vez mais obrigado a comprar medicamentos para combater “doenças” inexistentes.

Essa “má” medicalização, senhor ministro, fez com que o povo passasse a consumir remédios como consome qualquer outro produto, o que percebo ao analisar os clientes de meus pais, os quais possuem verdadeiras “farmácias caseiras”. Além disso, como toda a população do país, são compradores de remédios para diminuir a oleosidade da pele, para ajudar no emagrecimento de senhoras amargas, para tirar maus odores, que não existem, para “curar” TDAH de seus filhos que são bagunceiros, entre outras novas “doenças”, que há apenas décadas eram consideradas normalidades, mas que foram medicalizadas, atendendo aos interesses tanto de farmacêuticos, quanto de médicos associados a eles.

Dessa forma, como é dever do estado, mais especificamente do Ministério da Saúde, creio ser uma urgência a melhoria na fiscalização e o estabelecimento de padrões com relação à produção farmacêutica, discernindo quais remédios são realmente necessários à população e quais não são, além da exigência de receitas médicas no momento da compra dos remédios, com exceção daqueles que devem ser utilizados com urgência, buscando frear tal indesejável medicalização da vida de todos nós.

Desde já agradeço pela atenção,

Josefa.
Texto redigido pela aluna Anaclara da Silva Reis, da 3ª série A.


Texto 2: Relato

Memórias derretidas

As primeiras manhãs foram as piores depois que conseguimos alojamento em um dos poucos cubículos subterrâneos do Brasil. Deparava-me o tempo todo com o teto prateado e opaco que certamente refletia o ar sulfuroso do lado de fora. Depois, me acostumei. Não fazia muito sentido preocupar-me com um céu azul que já não existia e, depois de alguns meses, fiquei cansada de me assustar com a ideia de que todas as cores do mundo tinham sido lavadas pela radiação.

O passado era uma lembrança caótica, meio reverente, quase irreal. Mas, de certa forma, decepcionei-me com ele na primeira manhã, quando me arrastei de um dos cantos malcheirosos do contêiner que agora chamávamos de lar. O alarme soara de madrugada e não houve muito o que fazer, lembrava-me sempre. Corremos até a praia carioca apinhada de moradores desesperados e dominamos o bunker como se não houvesse mais chance alguma. Papai pagara um preço muito alto para manter uma vaga em períodos de necessidade e, como presidente, conseguiu um bom canto onde poderíamos passar a noite ao som das explosões. A maioria das outras pessoas não teve a mesma sorte, logo vi. Certamente foram pelos ares junto com os estilhaços mortais que tilintavam em alto e bom som.

Alguns aventureiros se arriscaram a filmar a terra desértica assim que os tremores explosivos terminaram, mas os terroristas haviam feito um bom trabalho: achamos que poderíamos escalar até a superfície, mas nenhum de nós, nem mesmo os homens que subiram, banqueiros ricos e milionários ociosos, sabíamos da química letal que os rebeldes muçulmanos usaram para construir a bomba.

Eles avisaram, é claro. Avisaram assim que Donald Trump aliou-se à França na guerra contra o terrorismo. Avisaram novamente quando destruíram metade do Vaticano na semana do Natal, e de novo quando sobrevoaram os ares com camicases que tingiam o céu com fumaça cinzenta. Mas as escolas diziam que guerras nucleares seriam difíceis de se concretizar, e continuariam dizendo se não tivessem se perdido em milhões de pedregulhos amorfos junto com os homem-bomba.

Naquela primeira manhã, depois de me arrastar do canto fedorento e de ter lamentado a morte dos homens destemidos que se entregaram à radiação da superfície, sentei-me em um círculo junto dos meus companheiros e liguei o transmissor de vídeo à pilha. Talvez tivéssemos a sorte de ver os últimos segundos de filmagem daquela câmera resistente, que derretia à luz da radiação e se dissolvia, borrando um mundo infértil e sem salvação. Foi a última cena antes do fim. O fim do mundo e o fim da vista que tínhamos dele. Virei meu rosto no final, porque não podia ver mais nada. Dei de cara com uma das paredes monótonas e, desde então, decidi que deveria me acostumar com elas.

Texto redigido pela aluna Júlia Barbassa França da 3ª série A.

Professora Dra. Priscila Toneli

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

"Ética na política e na sociedade"

A ética no cotidiano e na política brasileira sempre mostrou-se com um viés duvidoso, em parte pela cultura da população nacional e, em parte, pela realidade do governo, que nunca mostrou-se totalmente isento de práticas corruptas, mesmo nos primeiros anos de Brasil. Portanto, nota-se que a moral no cotidiano e na política brasileira deriva de uma cultura secular corrupta e de ilegalidade, aliada à desordem pública regente.

 A colonização do Brasil deu-se, historicamente, de maneira intensiva e exploratória e, como colônia, a região apenas tinha valor no campo da matéria-prima e do abastecimento da metrópole portuguesa. De fato, o mercantilismo existente no século XVI propiciava o distanciamento ético dos colonizadores em prol do enriquecimento. Como jovem nação, o novo mundo incorporou tal desvio moral à sua realidade, o que, lamentavelmente, persiste até os dias atuais. Surge, a partir daí, uma cultura antiética e corrupta, que passou a margear tanto a política quanto o cotidiano social da maneira que Marx chama de determinante: o local onde uma sociedade se estabelece, aliado à cultura apresentada ao povo determina um comportamento.

Além da cultura corrupta, nota-se que a falta de ética brasileira é justificável pela desordem política sempre constante na história nacional. Se em um primeiro momento a realidade monárquica propiciava o abuso do poder e a polarização política, durante a república, a hierarquia constitucional raramente foi respeitada. Segundo Montesquieu, a criação dos três estados (legislativo, executivo e judiciário) diminuiria a concentração do poder nas mãos de um só governante e tornaria a ética uma realidade social. Apesar de adotar tal modelo, a distribuição das obrigações políticas no Brasil não foi respeitada e a corrupção serviu para burlar a hierarquia. Com isso, reforça-se a constante antiética brasileira, que, a partir disso, apenas foi aceita com mais naturalidade política e socialmente.

Como resposta à problemática da cultura e da desordem política como precursoras do desvio ético e moral no Brasil, surge a necessidade do melhor vistoriamento do trabalho governamental pela própria sociedade, para que a divisão dos poderes seja obedecida. Tal ato deve ser alcançado por meio da participação em assembleias abertas ao público e por meio de manifestações organizadas. Além disso, é preciso que as escolas brasileiras pratiquem desde cedo a valorização da ética em detrimento da corrupção, para que as crianças, mesmo jovens, repudiem a ausência da moral e valorizem o caminho ético.


Dissertação argumentativa estilo ENEM escrita pela aluna Júlia Barbassa França da 3ª série A 

*Esse texto faz parte de projeto desenvolvido pela Professora Dra. Priscila Toneli na área de Linguagens e Códigos, coordenada pelo Professor Abimael.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

"A correria humana que dificulta hábitos alimentícios saudáveis"

Nós, humanos do século XXI, estamos sempre correndo. O engraçado é que, quanto mais corremos, mais ganhamos peso. Isso ocorre porque, por estarmos sempre com pressa e compromissos demais, nunca há tempo para nada além de correr para o trabalho ou para a escola. Não há tempo, inclusive, para fazermos uma refeição de qualidade. Na maior parte do tempo, decidimos parar em alguma lanchonete ou em algum restaurante que leva cinco minutos para preparar uma refeição hipercalórica e nem um pouco nutritiva. Mas, pelo menos é rápido, certo? O problema é que, com essa mudança drástica no ambiente social, a obesidade cresceu demasiadamente e a população, hoje, sofre com suas consequências.

A nossa correria se associa, em grande parte, com o aumento do salário mínimo em muitos países, como no Brasil. Nós começamos a ganhar mais por nossos trabalhos, ao mesmo tempo em que os supermercados sofreram uma inversão nos preços de seus produtos. Seguir uma alimentação regrada tornou-se, então, tanto um desafio econômico em vista da alta nos preços de alimentos adequadamente nutritivos, quanto um desafio pessoal decorrente da falta de tempo. Desta forma, as pessoas comem o que está ao alcance, o que nem sempre é algo saudável.

 Todas as causas listadas sobre o aumento da obesidade estabelecem consequências cruéis à saúde humana. Percebo, em todos os hospitais que trabalho, que o aumento da obesidade está diretamente ligado ao aumento de doenças crônicas, como as cardiovasculares, a hipertensão, a diabetes tipo 2, entre outras. Essas mesmas doenças, leitor, são as principais causas de morte entre adultos no Brasil.

Concluo, diante da minha vivência na área da saúde, que a primeira forma de combate a esse mal que perturba a sociedade é a ação estatal imediata no apoio a produtores agrícolas. O incentivo do Estado na agricultura poderá significar uma maior produção e uma consequente diminuição nos valores dos produtos nutritivos, tornando-os mais acessíveis à massa social. Além disso, o estabelecimento de leis que proíbam a venda de alimentos hipercalóricos nas escolas e programas sociais para incentivar melhores hábitos nutricionais é essencial. A correria do nosso dia a dia não deve influenciar no bem-estar do nosso corpo. É o que dizem, pois corpo são, mente sã.



Artigo de opinião escrito aluna Luiza Ranuzzi da 3ª série "A" – Ensino Médio 

*Esse texto faz parte de projeto desenvolvido pela Professora Dra. Priscila Toneli na Área de Linguagens e Códigos, coordenada pelo Professor Abimael.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Resenha sobre a saga Harry Potter

Sentada em um café escrevendo contos sobre um menino bruxo, JK Rowling sonhava com que uma de suas obras fosse publicada. O que a escritora britânica não imaginava é que daquele café sairia uma das histórias mais lidas por pessoas das mais variadas faixas etárias no mundo. O primeiro livro de uma das sagas mais reconhecidas mundialmente, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, vendeu mais de 107 milhões de cópias e completou seu 20° aniversário de lançamento na última semana de junho.

Harry Potter é um garoto órfão que teve os pais assassinados quando tinha um ano por Lorde Voldemort, o bruxo das trevas mais poderoso de seu tempo que tentou matar Harry na mesma noite, porém quem acabou quase morto foi o próprio assassino. Já Harry escapara ileso, apenas com uma cicatriz em forma de raio na testa. Assim, ele passa a viver na casa dos seus tios que o detestam. No momento exato em que completa 11 anos, Potter descobre que é um bruxo e que fora convocado para uma escola de magia.

A caminho do primeiro contato com a escola, conhece Rony e Hermione: dois alunos que também estão em seu primeiro ano. Harry não fazia ideia de que se tornariam seus melhores amigos e fiéis companheiros em todos seus desafios. Ao decorrer da história, o “trio de ouro” descobre que há algo extremamente secreto guardado no interior da escola.

Esse objeto é a Pedra Filosofal, substância que era procurada por Voldemort, pois o ajudaria a se reerguer e tentar retomar sua soberania no lado negro da magia. Ao fim, Harry enfrenta Voldemort, consegue afastá-lo da Pedra e fazer com que ele não volte mais por um bom tempo. Com a ajuda de Dumbledore, o diretor da escola que auxiliou nos estudos da Pedra, ela foi destruída.

Por conta da criatividade extensa da escritora, essa história num contexto totalmente fictício fatos reais, como o estudo alquímico da Pedra Filosofal pelo alquimista Nicolau Flamel e suas propriedades, que consistiam em transformar qualquer metal em ouro puro além de produzir o elixir da vida.

Ademais, JK Rowling passa, mesmo sendo de forma discreta, muitos valores para os leitores pela história. A força da amizade, da lealdade, da confiança e da coragem aparecem constantemente no livro, que em 2001 estreou nas telas do cinema como uma franquia de enorme sucesso. É uma história que marcou uma geração de crianças, jovens e adultos e continuará movendo mais pessoas em torno desse universo cativante e literalmente mágico.

Geovana de Paula Pereira, Júlia Alves de Souza Moreira, Júlia Eduarda Caetano de Oliveira e Maria Eduarda de Oliveira, alunas da 1ª série A.

*Texto elaborado colaborativamente, parte de projeto desenvolvido pela área de Linguagens e Códigos coordenada pelo Professor Abimael e sob a orientação da Professora. Dra. Priscila Toneli.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Corrupção + Alienação = BRASIL

PARE CIDADÃO E PENSE:

Corrupção + Alienação = BRASIL

O Brasil é a quarta nação mais corrupta do mundo, segundo o índice de corrupção do Fórum Econômico Mundial. Por isso você, cidadão brasileiro, deve repensar seus atos, pois não são só os escândalos envolvendo políticos que são corrupções, as ações cometidas por você, como furar fila, pagar propina e colar na prova da escola, também são identificadas como corrupção.


Outro grande erro cometido por nós, brasileiros, é não saber a constituição do nosso país, assim não sabemos o que significam todos esses processos envolvendo políticos, como a "Lava Jato" e o "Mensalão", e principalmente como eles se realizam. Por isso nós devemos analisar nossos atos e, após aprender um pouco mais como o país funciona, poderemos julgar os escândalos de corrupção.

Texto produzido pelos alunos da 2ª Série "B" do Ensino Médio: Marcus Vinicius Carvalho, Lucas Rodrigues, Thiago Rezende, Lorenzo Araújo, Pedro Henrique Sousa e Henrique Imada. 

Professora responsável: Profª Drª Priscila Marques Toneli 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

"Educar pressupõe sempre desagradar a criança" por Rosely Sayão

EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS
• SUPERPROTEÇÃO
• DESCONEXÃO DA REALIDADE
• EXCESSO DE ZELO
• DIFICULTA DESENVOLVIMENTO DA RESILIÊNCIA
• IMATURIDADE

ESTILO DE PAIS
• Neurose da insegurança
• Poupam os filhos dos afazeres domésticos
• Contra a escola-método/professor
• Excesso de compromisso
• Limite demais (não pode isso...)
• Formação de valores, da moral, da ética, dos princípios.

ESTILO DE FILHOS
• Infantilizados
• Descompromissados
• Distraídos
• Angustiados
• Impacientes/intolerantes
• Consumistas
• Sem resiliência
• Preguiça mental

Por falta de direção sofre uma criança, um adolescente;
Caminha para o bem-estar aquele que tem dirigentes preocupados em educar.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

"Linhas"

O caracol vai se arrastando e formando sua linha, desidratada.
Uma mulher vai desfilando, com seu terço, sua linha forma um círculo.
E a sombra que vai ficando no caminhar, a linha ora alonga ora encurta.
E a ponte que quebra, impedindo o caminhar, a linha arrebenta.
O cachorro que segue o rastro do bicho que corre e outro bicho que cruza o caminho e o faro fica perdido entre um bicho e outro bicho. Cadê a linha?
O cansativo desenrolar do novelo. Só linha.
A parede de vidro ilude o passante. E a linha do olhar?
Sobre o caminho as formigas carregam folhas, sob o caminho outros tantos caminhos. Duas linhas.
A linha que se alinha, na mesma hora, chegou a hora do blem.blem.blem. E o pêndulo na linha.
Caminho de encontro, desencontro, de achado e perdido, de estar só sentado à beira do caminho. Na linha.
E a linha que divide a terra em duas metades, quem está do lado de cima ou do lado debaixo.
Um linha que vira o mundo de cabeça para baixo, é só um momento para a bebedeira.
E o caminho da corda que faz girar o corpo do menino que pula. Que linha!
E a linha colocada no buraquinho da agulha que engana o olhar da vovó.
E a linha do exame cardiológico que sobe desce sem parar e se parar, a vida cala.
E linha puxada do caminho do homem por outro homem.
E o palhaço que sobe a linha do círculo sem parar.
O homem quebra a pedra no meio do caminho porque no meio do caminho tinha uma pedra. E a linha se arrebenta.
A mulher que varre a sujeira para debaixo da linha. A linha esconde.
O olhar que enxerga duas linhas, em qual delas pisar com certeza?
Debaixo da linha o grilo observa a linha da borboleta. Linha frágil.
A linha do tonto que se quebra a todo instante.
E o nó da linha que impede o homem de caminhar. Linha que desalinha.
E os gêmeos que se olham através das linhas. Linhas diferentes.
O dedo que fura a linha e cega o olho do homem. Linha da pipa.
Regar os pontos para se alinharem. Linha semente.
A corda bamba pode arrebentar a linha a qualquer instante. Lindeza.
E o ziguezague da flecha no ar. Linha cortante.
Os carros que perdem a linha e caem aos montes. Desalinhados.
A linha entre o mar, o ar e a terra. Limite da linha.
A linha que segura o homem. Nó da linha.
A linha que prende o cachorro. Linha fatal.
A linha que sobe e desce. Linha bamba.
A corrida para recolher a linha do anzol. Alinhavar o peixe.
A linha engolida e arrebentada. Que indigestão!
A linha da bala que passa pelo corpo do menino. Partiu-se a linha.
A linha que segura o tempo se enverga. Linha amadurecida.
As linhas que escrevem todo dia. Caligrafia.
A linha do pássaro no horizonte. Linha voadora.
A linha que circula rodopiando no ar. Bolinha
As linhas que se revoltam e buscam outros caminhos. Linha da adolescência
A linha que escapa do novelo. Linha sem carretel.
A linha que se enrola no novelo. Linha indiscreta.
A linha do corpo e da mente, apenas uma linha entre a loucura e a razão. É só uma linha na literatura, linha da emoção entrando em ação.

Texto escrito pela Coordenadora Pedagógica Eliana Aparecida Prata em 14 de maio de 2017.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Recomeçar

Acorde!
Perceba que o dia é único e só seu.
No horizonte, há paz, Deus, e fortaleza.
Recarregue-se de energia positiva
Seu coração é grande,
cabe nele um pouquinho mais
de amor, de carinho, de aceitação e de compreensão.
Acenda dentro de você a luz!
Educar é um ato de amor, de paciência,
de criatividade, de solicitude,
de firmeza, de abertura ao outro.
Interaja!
Então voe,
Seja uma águia,
lidere nas alturas em parceria
para se sentir melhor e mais confiante.
Descubra Deus dentro de você,
transfira-O aos que te rodeiam.
Feliz recomeço,
conte sempre comigo,
eu contarei contigo, combinado?

Texto escrito pela Coordenadora Pedagógica Eliana Aparecida Prata