quinta-feira, 6 de setembro de 2018

"Carta para o Ministro da Saúde"

Uberaba, 11 de maio de 2018.

Prezado Ministro da Saúde Gilberto Occhi,

Nos últimos tempos, o número de casos de suicídios entre os jovens e adolescentes cresceu consideravelmente, fato que me preocupa, já que há dois anos eu e minha família sofremos com a morte do meu irmão de apenas 17 anos que se suicidou, e, visto que essa situação é recorrente em diversas outras famílias brasileiras, o senhor, na condição de Ministro da Saúde, conhece a depressão que leva grande parte dos jovens a tirarem a própria vida e, por isso, entende que há tratamento para essa doença, assim é possível evitar que esses índices continuem aumentando.

Diante disso, é indubitável que o suicídio constitui uma forma de fugir da realidade e da depressão com a qual este jovem está passando. No entanto, quando diagnosticada no início, a depressão possui um tratamento que o senhor, como Ministro da Saúde, conhece melhor que eu, logo é necessário que o paciente busque ajuda e aceite esse transtorno mental para ser tratado, fato que não ocorre em muitos casos, e, da mesma forma, não ocorreu com meu irmão, que nunca demonstrou sinais e não recorreu à ajuda, já que, como o senhor mesmo presencia, muitos doentes sentem vergonha devido ao preconceito da sociedade que insiste em lidar com a depressão como mera forma de “chamar a atenção”.

Além disso, outro grande problema da nossa sociedade é que muitos brasileiros preferem atribuir a causa dos suicídios à mídia e à Internet, como eu mesma fazia antes do acontecido com meu irmão, ao invés de compreender que esta atividade é resultado da ausência de cuidado e atenção com o sofrimento desse paciente, que de uma simples dor evolui para uma doença grave como a depressão. Ademais, recentemente o jogo “Baleia Azul” e a série “13 Reasons Why” foram taxados como principais motivos de diversos suicídios, porém o senhor que compreende o cérebro humano sabe perfeitamente que uma pessoa não pode ser facilmente influenciada assim, e por isso só constituem risco quando já existe a depressão e eles tornam-se formas de escapismo.

Desta maneira, eu, por não desejar que nenhuma outra família passe pelo que eu passei, espero que o senhor, sendo Ministro da Saúde e, portanto, capaz de minimizar esse problema, implante campanhas de conscientização para os jovens e suas famílias procurarem ajuda médica quando houver sinais de depressão, além de intensificar o atendimento psiquiátrico e a distribuição de antidepressivos nos postos públicos, já que o senhor compreende que as causas dos suicídios está na ausência de tratamento para a depressão.

Atenciosamente, Josefa.




Esta carta foi redigida pela aluna Geovana de Paula Pereira - 2ª série do Ensino Médio quando solicitada a produzir textos adaptados aos vestibulares da UFU.

Texto redigido sob a orientação da Professora Drª Priscila Toneli

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

"A situação hídrica do Brasil"

No Egito antigo comandado por José, o Rio Nilo era a única fonte de sustento e para abastecer todo o território egípcio foi necessária a criação de um plano de abastecimento e conservação da água. Dessa maneira, na situação hídrica em que o Brasil se encontra atualmente, medidas devem ser tomadas a fim de erradicar e melhorar as condições hídricas do país, com o apoio da população e com um maior aproveitamento da água presente no território brasileiro por parte dos órgãos responsáveis.

É indubitável que um país com abundância hídrica na Amazônia não consiga suprir a demanda, já que, além de faltar um planejamento, o governo não se mobiliza como deveria. Como dizia Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Assim, seguindo essa linha de pensamento, como o Brasil vai melhorar se não é falado nada a respeito da água a sua população e tudo que mais se vê é desperdício e má utilização da água começando dentro das casas.

Ademais, uma situação análoga ocorreu no estado de São Paulo, decorrente da crise e da falta de água, que contou com o apoio da população subliminarmente com o mecanismo de racionamento. Dessa forma, a população não deve se esquecer que a água é um recurso limitado que atua coletivamente em prol de um bem maior e sem responsabilidade ela irá embora mais cedo.

Portanto, medidas são necessárias para combater a escassez hídrica no Brasil. Destarte os governantes estaduais devem se reunir a fim de elaborar um mecanismo de trabalho em conjunto e uma nova fonte de abastecimento deve ser criada, promovendo uma maior interação hídrica entre os estados de maneira célebre e justa, contando também com o apoio da população, distribuindo cartilhas educativas nas escolas, promovendo o ganho de conhecimento e uma reeducação quando se trata de conservação da água no Brasil.



Rai Figueiredo Valadares  

1ª série "A" - Ensino Médio

Texto redigido sob a orientação da Professora Drª Priscila Toneli

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

"Conhecimento que forma e transforma"

O conhecimento é como um caleidoscópio. Podemos enxergar diferentes verdades; podemos escolher mais de uma perspectiva de análise e reflexão e cada uma terá sua lógica, seu fundamento, sua defesa, em parte porque projetamos no conhecimento nosso olhar que é parcial, nossas escolhas e nossa experiência.

A atração que sentimos pela variedade produzida por tal caleidoscópio é tamanha que, ainda que os maiores argumentos da razão consistam exatamente na imposição de limitações sobre nossa capacidade de conhecer, insistimos em fazê-lo.

Kant (1781), por exemplo, revelou através da noção de crítica transcendental, a impossibilidade de conhecer os objetos em si. Hume (1748), com suas teses sobre a indução, argumenta que toda verdade indutiva é provável mas não necessária. Suspendeu assim para sempre a fé total no raciocínio científico. Gödel (1931), ao demonstrar com seus dois teoremas da incompletude que qualquer sistema forte o suficiente para expressar a aritmética de Penao é tal que não pode provar sua própria consistência e garante a existência de verdade indemonstráveis, expõe que nem mesmo em nossa área mais bem acabada do saber, a Matemática, somos capazes de acessar o conhecimento total.

Eventos como da passagem do Aristotelismo para a teoria Copernicana, onde alterou-se a forma total de entender a física ou aquela da mecânica clássica para a quântica, onde percebemos que as teorias clássicas aparecem como aproximações macroscopicamente válidas de modelos quânticos, vem escancarar que a maior parte do conhecimento humano, além de possuir escopo pequeno, é incerto. Tudo aquilo que já foi considerado a melhor ciência de uma época foi superado, muitas vezes de forma não conservativa.

Se a busca pelo saber sobreviveu a todas estas restrições parece ser porque a curiosidade é uma característica intrínseca à humanidade.

O ser humano desafia a si mesmo na procura de conhecer mais e mais. O homem está condenado a buscar a superação através do conhecimento de forma intensa e infinita. Sartre (1978) afirma que o homem “está condenado a ser livre”. Nesse processo assume a condição de desbravar o mundo na busca por extrair positividade de sua negatividade, alcançar liberdade de sua prisão, encontrar o silêncio pacificador de seu desespero ruidoso.

Dadas as limitações em nossa capacidade de conhecer, bem como nossa existência finita associadas a esse caráter volátil do saber, percebemos que o conhecimento se dá, não durante um curto período de tempo, mas ao longo da vida. Não apenas tal processo é mutável, mas o próprio homem se apresenta complexo e processual, alguém cuja vida é composta por fenômenos que nunca cessam. O ser humano borbulha, lateja, pulsa, está em constante transformação. É enxurrada de dúvidas e certezas. Até seu fim, nunca apresenta-se pronto ou acabado.

Como há tantas possibilidades quanto concepções daquilo que é possível, nada é certo, em absoluto. Somos potencialmente bons ao mesmo tempo que potencialmente maus. Segundo Arduini (2004) “Por não estar totalmente determinado, o homem é essencialmente mutável. É Metá-noia, termo grego que significa “mudança” no pensar, no sentir, no agir, no conviver.”

A leitura, o diálogo e a reflexão surgem então como pegadas e ao mesmo tempo pistas, que nos levam pelo caminho da superação da ignorância e edificação da vida frente as inquietudes do conhecimento posto.

Neste sentido, qual o papel da leitura para alcançarmos respostas no desafio da superação? Conhecimento leva-nos a evolução, mas também a regressão. Na procura da classificação do inclassificável e generalização daquilo que é único, expomo-nos. Assim, a leitura dos mais diferentes tipos de textos aparece como o início de um processo sem fim de construção de saberes.

O homem, em sua busca incessante por respostas e certezas assume como verdade elementos aprisionadores da alma e os questiona. Nutrindo a vida de conhecimentos e dúvidas.

Conscientes disso, o Colégio Nossa Senhora das Dores não tem a pretensão de responder com certezas os questionamentos apresentados, mas de aguçar as almas de nossos alunos com dúvidas que libertem suas mentes.




Djalma Gonçalves Pereira 
Licenciado em Matemática; Mestre em Educação; Doutorando em Educação; Coordenador Pedagógico do Ensino Médio do CNSD.

Pedro Martins Pereira  
Graduando em Filosofia pela UnB; ex-aluno do CNSD.  


sexta-feira, 13 de julho de 2018

"Transtornos alimentares X Padrões de beleza"

Um dos grandes problemas presente atualmente são os transtornos alimentares. Gerados por um estímulo descontrolado de consumação pelas diferentes mídias e pela imposição de um padrão de beleza, especialmente entre os jovens, a obesidade e os casos de anorexia vêm crescendo em uma escala sem precedentes. Dessa forma, os transtornos alimentares são verdadeiras patologias sociais, criadas e sustentadas pela própria sociedade, mas que podem ser medicadas/solucionadas por práticas simples e precisas para a problemática.

É indubitável que padrões de beleza sempre existiram. Tais padrões retornam aos primórdios da humanidade, na qual ser acima do peso era algo cobiçado, por significar capacidade de gerar mais descendentes, diferente de hoje, que se vangloria a magreza por significar longevidade e a capacidade de caber em vestimentas da moda verão, inverno e primavera. De acordo com a teoria do fato social de E. Durkhein, os indivíduos buscam aceitação de outros por meio da coercitividade, ou seja, padronização, que é gerada por razões exteriores ao indivíduo, justificando a razão pela busca do corpo ideal, por pura aceitação da pessoa ao grupo com o qual ela vive, o que infelizmente leva ao aumento dos casos de anemia.

As exigências das mídias também é o maior fator de influência sobre o descontrole alimentício. Com constantes propagandas de alimentos gordurosos e prejudiciais à saúde, é inevitável que a satisfação do paladar sobreponha a busca por uma vida saudável. Assim, esse tipo de alimentação torna-se um hábito entre várias famílias. Nesse sentido, estudos realizados em 2016 pela Faculdade Imperial de Londres afirma que, de 1975 a 2014, o número de homens obesos triplicou e o de mulheres duplicou, no total saindo de 105 milhões para 614 milhões de casos de obesidade, sendo de extrema urgência a criação de métodos que resolvam tal problema.

Para resolver esses transtornos alimentares citados, faz-se necessária, primeiramente, a quebra do padrão de beleza, que, por meio de ações do Ministério da Saúde, a partir da realização de campanhas que promovam a autoaceitação e a repugnância a atitudes que levem à anorexia, a serem veiculadas em todas as mídias e em escolas para dar fim nesses casos. Essas campanhas também incluirão orientações contra a obesidade, mostrando seus perigos e danos na vida das pessoas divulgadas com vista a dar fim aos transtornos alimentares.



Caio Mazeto Costa 

 3ª série "A" - Ensino Médio 

 Texto redigido sob a orientação da Professora Drª Priscila Toneli

sexta-feira, 6 de julho de 2018

"Beleza e saúde"

A série “O mínimo para viver” estreada pela Netflix demonstra aspectos atuais da forma como os transtornos alimentares são vistos pela sociedade, com destaque às doenças como bulimia e anorexia que acometem uma jovem que tenta lutar contra isso no decorrer da trama. Logo a série retrata nossa sociedade contemporânea que impõe um padrão de beleza, causando transtornos alimentares entre os jovens brasileiros.

Nesse contexto, na segunda geração do Romantismo, conhecida também como geração ultrarromântica, os poetas retratavam em suas obras aspectos como escapismo, uma forma de fugir dos problemas por meio de métodos como álcool, drogas e suicídio. Atualmente, para um indivíduo fugir dos problemas sociais, como as insatisfações corporais, descontam suas preocupações em comidas, principalmente doces, gerando uma compulsão alimentar e acarretando a transtornos alimentares. Por outro lado, também há jovens que, devido ao padrão de beleza imposto pela sociedade, utiliza de métodos para perder peso, intensificando doenças como a bulimia para satisfazer e criar um corpo imposto pela sociedade e principalmente pela mídia.

Ademais os costumes familiares também tornaram-se aspectos que influenciam nos transtornos alimentares entre os jovens brasileiros, visto que a criança cresce em uma sociedade capitalista que está em constante movimento devido à tecnologia. Desse modo, a criação de propagandas que evidenciam o consumo de “fast food” como as do “McDonald” influenciam os jovens visto que são criados em um ambiente com maus hábitos alimentares como a família brasileira contemporânea. Assim, de acordo com a teoria da tábula rasa de John Locke, o indivíduo nasce como uma folha em branco e irá preenchê-la conforme suas experiências, ou seja, o incentivo de um bom hábito alimentar irá influenciar o indivíduo desde criança.

Portanto, para amenizar essa problemática vivenciada por muitos brasileiros que vivem pautados principalmente pela angústia conforme o pensamento do filósofo Soren Kierkegaard, é necessário que o Governo, na figura do Ministério da Saúde, crie debates e campanhas nos postos de saúde, em que os indivíduos terão acompanhamento com nutricionistas. Cabe também às mídias desempenharem propagandas que exponham a realidade e as doenças que afligem principalmente os jovens devido aos transtornos alimentares como vivenciado pela jovem da série “O mínimo para viver”. Assim, a sociedade terá bons hábitos e exemplos alimentares.



Camilla Peres Almeida 

3ª série "B" - Ensino Médio

Texto redigido sob a orientação da Professora Drª Priscila Toneli

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Irmã Anita: uma vida dedicada ao próximo

Igreja São José Operário juntamente com a Creche Comunitária Dona Marta Carneiro e como o Centro Comunitário Materno São Jose Operário são realizações de anos de trabalho e dedicação à comunidade.

"Foi como os Franciscanos que despertei para aprender muito para ajudar o outro", assim lembra Irmã Anita, com voz pausada e suave, do início da década de 40, quando estudou um ano do "ginásio" em Jardinópolis com os Franciscanos. De sua infância, ela recorda que teve uma família feliz, e fala em especial de sua mãe muito exigente e de seu pai bastante compreensivo. Irmã Anita aprendeu a viver na presença de Deus mesmo com seus pais frequentando a Igreja apenas esporadicamente. Ela sente saudades de quando era Soldadinho de Cristo: "nós cantávamos: Valentes soldadinhos precisamos combater os defeitos mais daninhos pra gente dar só prazer..."

Quando jovem, participou da Ação Católica onde integrou-se à Juventude Estudantil Católica e à Juventude Independente Católica. Foi no Colégio Nossa Senhora das Dores, onde sempre estudou, que a Irmã decidiu-se pela vida religiosa por ter se apaixonado por Jesus, São Paulo e São Domingos. Ela também revela que grandes líderes da História Antiga serviam-lhe como modelo, "eu não me esqueço de Demóstenes que era gago e foi para a beira do rio falar até conseguir se dominar. Aquilo que me marcava, quer dizer, nós somos capazes e até um defeito físico podemos mudar".

Logo no início de sua vida religiosa, em meados dos anos 50, mudou-se para a França, onde morou por três anos. Quando voltou ao Brasil, residiu na região Sudeste, Centro Oeste e Norte. Irmã Anita conta que trabalhou muito nesses lugares, "tinha uma dedicação e um amor muito grande por aquele povo, nós tínhamos o desejo constante de formar lideranças, queríamos que houvesse muitos brasileiros conscientes. Assim criávamos oportunidades para que os alunos também pudessem viver esse ideal". Morou também no Paraná e no Rio Grande do Sul, onde conta que despertou para uma ação consciente politizada, "foi quando a Teologia da Libertação estava com toda a força e impulsionava uma ação consciente", conta a Irmã.

Irmã Anita voltou para Uberaba em 1976 com uma enorme vontade de trabalhar nas chamadas Comunidades Eclesiais de Base. "Junto com a Irmã Terezinha, descobrimos o Gameleiras e mudamos para lá. A região era composta na maior parte por pastos, as casas eram barracos de retalho de madeira e lata aberta. Não tinha água encanada, usávamos cisterna e a energia elétrica era limitada, andávamos com lamparina para fazer reunião com o povo".

Fonte: Revelação On-line - Uniube